Opinião

Angola e FMI: um “casamento” de aparências

Maria Luísa Abrantes

Consultora Internacional

09-12-2022 10:07

09-12-2022 10:07

Maria Luísa Abrantes

Consultora Internacional

O balanço de Angola feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) é  o de que o País está no seu melhor, o que agrada a todos os países que vendem produtos e serviços, mas não investem, nem investirão enquanto o cenário do País real se assemelhar a um cemitério mal-tratado, onde praticamente nada se processa, à excepção dos “ovos” produzidos pelas “galinhas monopolistas”.

Para o FMI, Angola recomenda-se. Para se endividar mais, porque com a subida do preço do petróleo paga-se aos países industrializados mais de 50% da dívida externa, com juros exorbitantes que acham ainda ser pouco (pelo risco), enquanto estes pagariam pelos mesmos empréstimos juros irrisórios.

Do ponto de vista interno, a realidade é completamente inversa. Para se agradar as visitas (imagem exterior), os filhos (população) são atirados para o desemprego, subemprego, ou à indigência, fazendo nos caixotes de lixo as suas refeições do dia-a-dia e a ceia de Natal.

O balanço interno é o de que, para além da finalização das obras deixadas pelo Presidente José Eduardo dos Santos, da remodelação de edifícios hospitalares, do edifício da CNE, entre outros, por ajuste directo ou por concursos limitados pouco transparentes, pouco mais foi feito.

Se a pretensão é protelar as autarquias, cadê os estudos e os projectos para a construção de escolas, postos médicos e estradas terciárias, em cada uma das comunas que se pretende elevar a município?

A resposta para crianças possivelmente seria: Só depois da aprovação da multiplicação por 3 dos municípios actuais (completamente abandonados). E qual a resposta para os adultos conscientes? Não há!

Nem já o Ministério das Relações Exteriores conseguiu construir, em 47 anos, um edifício de raiz para a  sua sede, privando a classe empresarial do edifico pertencente às Associação Comercial e Industrial, nem o Ministério do Interior conseguiu construir instalações apropriadas para o SIC (Serviços de Investigação Criminal) que, para o efeito, há anos ocupou velhas instalações de reabilitação infantil e de reclusão. É como que os assistentes dos réus e os seus inspectores estejam também detidos de fato e gravata, porque as salas onde trabalham são ex-solitárias sem janelas.

E para onde irão as crianças angolanas de rua empurradas pela miséria, onde são subjugadas à força por delinquentes de que se tornam parceiros do crime? Até quando deixaremos morrer e delinquir o nosso povo e viveremos de aparências?

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