O Banco Nacional de Angola (BNA) divulgou os números do crédito referente a Novembro de 2025. O crédito bruto ao sector não financeiro atingiu os AOA 8,9 biliões, equivalente a US$ 9,76 mil milhões ao câmbio do último dia do período, um acréscimo de AOA 1,2 biliões (US$ 1,32 mil milhões) face ao igual período homólogo.
A primeira grande revolução está na moeda nacional: o stock de crédito à economia cresceu 21.1% para AOA 7,2 biliões (US$ 7,89 mil milhões), num sinal claro da crescente confiança no Kwanza como moeda de poupança, crédito e investimento.
O salto de 21.1% no crédito em kwanzas significa que os bancos estão a encontrar liquidez em moeda nacional para emprestar, e os agentes económicos estão a preferir dívida na moeda nacional, reduzindo os riscos cambiais nos seus balanços, o que diminui a pressão sobre as reservas internacionais e fortalece a autonomia da política monetária do Banco Central angolano.
O privado no comando
A distribuição do crédito confirma uma economia orientada para o mercado onde o sector privado domina com 86,1% do total e o sector público representa 13.9%.
Dentro do sector privado, a dinâmica é reveladora: empresas privadas não financeiras endividaram-se em AOA 6,0 biliões (US$ 6,58 mil milhões) com crescimento anual de 9.4%. o crédito de particulares saltou para AOA 1,7 biliões (US$ 1,86 mil milhões), registando uma expansão explosiva de 21.8%. Além de configurar um estimula ao consumo interno, estes dados refletem o aumento do crédito hipotecário e, possivelmente, a microcrédito, indicando maior inclusão financeira e confiança no futuro.
O sector real da economia
Este é o cerne da política económica: redireccionar o crédito para quem produz. A Nota Estatística do BNA revela que o crédito bruto ao sector real totalizou AOA 1,9 biliões (US$ 2,08 mil milhões), configurando um aumento de 17,6% em termos homólogos.
O instrumento principal de fomento tem sido o Aviso n.º 10/2024 da entidade responsável pela preservação do valor da moeda nacional e da estabilidade do sistema financeiro. Sob este regime, foram concedidos AOA 1,3 biliões (US$ 1,42 mil milhões) ao sector real, uma alta de 71.5% de todo o crédito concedido a este sector e 15,1% de toda a carteira de crédito bruto do sistema bancário.
A distribuição por subsector espelha que a indústria transformadora representou 42,3% do total do sector real, absorvendo AOA 795,9 mil milhões (US$ 872,4 milhões). Deste valor, 92.8% foram via Aviso 10/2024. A indústria extractivas somou AOA 734,0 mil milhões (US$ 804,57 milhões), representando 39.0% do stock de crédito, e 49.1% do seu financiamento por via do referido aviso do BNA.
Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca, com 18,7%, cifrou-se em AOA 350,8 mil milhões (US$ 384,5 milhões), sendo que 70.2% foi concedido via avisos de fomento.