Alguns dos principais bancos comerciais de importância sistémica e de pequena dimensão vão mexer na cúpula da gestão corrente (Comissão Executiva), numa reconfiguração que se estenderá para a composição da mesa da Assembleia-Geral, no Conselho de Administração e no Conselho Fiscal.
Estas alterações decorrerão em linha com o prescrito nos seus estatutos de governação societária, tendo em conta o fecho de ciclo. As movimentações observam-se no Banco Angolano de Investimentos (BAI), no Banco de Fomento Angola (BFA), no Banco Keve, no Banco de Comércio e Indústria (BCI), no Banco de Poupança e Crédito (BPC), no Banco de Negócios Internacional (BNI), no Standard Bank Angola e no Banco BIR, o único de pequena dimensão.
No Banco BAI, as mudanças serão aprovadas em Abril, por altura da reunião anual da Assembleia-Geral, aprazada para o dia 25. Depois de ter cumprido dois mandatos consecutivos, é pouco provável a continuidade do banqueiro Luís Filipe Rodrigues Lélis na presidência da Comissão Executiva, mas o resultado de 2025, o maior da história da banca nacional, poderá pesar na tomada de decisão dos accionistas. A reconfiguração estender-se-á para os restantes membros executivos e não executivos.
No BFA, a continuidade de Luís Roberto Fernandes Gonçalves na liderança executiva é dada como certa. Este banqueiro, quadro do banco há 30 anos (desde 1996), assumiu a presidência executiva em Julho de 2020. Após a concretização da alienação de 29,75% das acções do capital social na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), os accionistas equacionam uma reconfiguração profunda em todos os órgãos sociais.
No Complexo Garden Towers, concretamente no 12.º andar da Torre B, os accionistas do Banco Keve estiveram reunidos em Assembleia-Geral Extraordinária na última terça-feira, 20 de Janeiro. O banco agora controlado pelo Grupo Carrinho renovou a confiança em Bruno da Silva Grilo, mas fez algumas mudanças, que devem seguir para a validação do Banco Nacional de Angola (BNA).
Haverá também mudanças, embora superficiais, no Banco de Comércio e Indústria (BCI), detido na totalidade pelo Grupo Carrinho. Numa espécie de “dança das cadeiras”, alguns gestores cessam funções para integrarem o board de outras entidades bancárias em que a Carrinho detém participações societárias.
No BPC, o banco cujo accionista único é o Estado angolano, representado pelo Ministério das Finanças, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (ISSFAA), o ciclo encerrou (2022/2026). A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, tem em mãos a decisão de manter tudo como está ou alterar o board.
Luís Fialho Miguel Teles substituiu António Coutinho na presidência da Comissão Executiva do Standard Bank Angola em finais de 2018. Embora ao longo dos anos foram ocorrendo alterações, com a entrada e saída de administradores executivos e não executivos, o único interesse do gestor em se manter no cargo estará relacionado com a condução da IPO (Oferta Pública Inicial) do banco, disseram as nossas fontes.
Com a compra de 70% das acções do Banco de Negócios Internacional (BNI) pela Kassai Capital, oficializada em finais do ano passado, o board do banco fundado por Mário Abílio Palhares e José Teodoro Garcia Boyol sofrerá alteração profunda. No Banco BIR, a banqueira Lígia Madaleno, detentora de 56,40% do capital social, mantém-se na condução do banco. Mas avizinha-se uma alteração no 7.º andar do Edifício Bengo, em Belas Business Park.