A escolha de Kevin Warsh para a liderança do Federal Reserve, para o lugar que será deixado por Jerome Powell em Maio, marca o retorno de um nome que conhece o coração do sistema financeiro norte-americano. Warsh transformou-se, nos últimos anos, um dos críticos mais acérrimo da gestão de Jerome Powel, daí ter caído na graça de Donald Trump.
Uma das suas frases preferidas é a defesa do que apelidou de “mudança de regime” na autoridade monetária, o que se traduz numa revisão do arcabouço que orienta decisões de juros, comunicação e actuação em mercados. Kevin Warsh defende que parte dos problemas actuais, incluindo distorções de preços de activos e perda de credibilidade, seria “autoinfligida” pelo próprio banco central.
Antigo director do banco central e o futuro número um do Fed construiu sua reputação nos bastidores da crise financeira de 2008 e, desde então, tornou-se uma voz influente no debate sobre os limites e excessos da política monetária dos EUA. No período da crise de 2008, Warsh tentou articular fusões entre a Goldman Sachs e o Citigroup ou o Wachovia, mas as operações falharam.
Mais tarde, o executivo conseguiu convencer a Morgan Stanley a transformar-se numa holding bancária para ter acesso a empréstimos da Fed, salvando, na prática, o banco. Mas há uma nódoa que segue infinitamente o seu percurso: a queda do Lehman Brothers continuará a ser para sempre uma das páginas mais curiosas da história do sistema financeiro global.
É que, nesta altura, entre 2006 e 2011, o escolhido de Trump integrava o Conselho de Governadores do Fed, e era sua responsabilidade actuar directamente nas negociações entre o Tesouro, o Banco Central e as grandes instituições financeiras, sendo visto como um operador técnico, com trânsito tanto em Washington quanto em Wall Street.
Após deixar o assento no Conselho de Governadores do Fed, manteve proximidade com círculos financeiros e acadêmicos, além de ocupar posições em conselhos corporativos e think tanks.
