Os ramos doença como indemnizações e petroquímica foram os principais impulsionadores do aumento dos custos com sinistros das seguradoras, representando um peso conjunto de 71% (56% e 15%, respetivamente). Esta elevada concentração justifica a pressão sentida nos níveis globais de indemnização.
Complementando a sinistralidade global, destacam-se também os ramos automóvel com custos de AOA 27,5 mil milhões (USD 30,17 milhões), acidentes de trabalho com AOA 19,31 mil milhões (USD 21,17 milhões). O segmento de outros danos em coisas registou encargos de AOA 10,5 mil milhões (USD 11,5 milhões).
Especialistas do mercado acreditam que estes resultados, do ponto de vista técnicos, não são bons para as seguradoras, porque a empresa perde dinheiro na sua actividade, embora seja para dar respostas às responsabilidades assumidas com os segurados.
“Por exemplo, um salto de 50% nos pagamentos obriga a empresa a desmobilizar muito dinheiro do caixa. Se a seguradora não tiver provisões técnicas bem reforçadas, pode ter dificuldades em manter os níveis de solvência exigidos pela ARSEG. É só para termos uma noção da complexidade desta percentagem”, explicou o gestor de risco, Elias Gaspar.
Num sector onde a confiança é uma peça fundamental, Adriano Gomes, corrector de seguros, sublinhou que a capacidade de resposta perante eventos críticos consolida a reputação do mercado com a população.
Prémios crescem 24%
Os prémios brutos emitidos pelo mercado segurador cresceram 24% para AOA 586,91 mil milhões (US$ 643,54 milhões) , impulsionado pelos ramos doença e petroquímica, que representam mais de 50% da produção total. Este comportamento reflecte uma tendência de continuidade já observada em trimestres anteriores.
Nota-se também um crescimento real positivo na produção de prémios, que aumentaram 24% face ao ano anterior. Este desempenho supera significativamente a taxa de inflação homóloga de 15,70%, invertendo a tendência de crescimento negativo que o sector vem registando.
Ao analisar o contributo por segmento, nota-se que o ramo Vida teve uma participação de 53% para AOA 46,12 mil milhões (US$ 50,5 milhões), enquanto o ramo Não Vida cresceu apenas 22% para AOA 540,79 mil milhões (US$ 592,9 milhões).
Fundos de pensões
Os benefícios pagos pelos fundos de pensões apresentaram um crescimento de 7,8% para 128,08 mil milhões (US$ 140,44 milhões) face aos AOA 118,67 mil milhões (US$ 130,12 milhões) registados em 2024.
Em termos de benefícios pagos à pensão por velhice, aquela prestação mensal paga pela Segurança Social, destinada a substituir a remuneração de trabalho de pessoas que atingiram a idade de reforma, foi a que mais desembolsou dos fundos com um valor de AOA 107,95 mil milhões (US$ 118,37 milhões), seguido da pré-reforma que superou a remissão ao pagar AOA 1,106 mil milhões (US$ 1,21 milhões), depois a remissão AOA 7,33 mil milhões (US$ 7,33 milhões), entre outros benefícios.
Mediação de seguros
Os mediadores colectivos de seguros auferiram 10,21 mil milhões de AOA (US$ 11,19 milhões) pelos serviços de intermediação realizados. Os ramos automóvel e saúde destacaram-se como os mais dinâmicos nesta categoria, registando 11.501 e 2.030 apólices intermediadas, respectivamente.
