Opinião

Avaliação do impacto da IA em zonas de conflito

Ailton Lourenço Vieira

Chefe da Área de Governança de TI e Desenvolvimento Aplicacional do Tribunal de Contas

2 Abril, 2026 - 19:20

2 Abril, 2026 - 19:20

Ailton Lourenço Vieira

Chefe da Área de Governança de TI e Desenvolvimento Aplicacional do Tribunal de Contas

‎A presença de ataques provocados com o suporte de Inteligência Artificial tem sido cada vez mais recorrente. É inegável preparar os órgãos de defesa e segurança do estado para combater esta nova forma de fazer guerra.‎

‎Casos como na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, em que forças ucranianas recorrem à Localização e Inteligência assistida por IA para ataques de precisão, ou na faixa de gaza, em que as forças de defesa de Israel utilizam sistemas de localização algorítmica nas operações de combate para ataques aéreos, são claros sinais das novas ameaças em zonas de conflitos.

‎Os Drones, por sua vez, constituem uma opção “low-cost”, muito eficiente, para causar danos significativos, conforme visto nos últimos conflitos militares, em particular no médio oriente, utilizados de forma excessiva, pela República Islâmica do Irão.

‎Porém, a IA pode ser utilizada tanto para ataques, como para a defesa. Na aplicação defensiva, devemos dar especial atenção às Operações ISR (Intelligence-Inteligência, Surveillance-Vigilância e Reconnaissance-Reconhecimento). Este Modelo consiste na recolha estruturada, análise e partilha de informação, com a vantagem de melhorar a tomada de decisão em defesa e segurança e na rápida resposta em situações de crise.

‎A Inteligência representa a informação processada e analisada de diferentes fontes, tais como a inteligência humana, multimídia e dados geoespaciais. Desta forma, estes dados podem servir como insights para decisões operacionais e suporte estratégico.

‎A Vigilância representa o monitoramento sucessivo de um determinado objectivo ou actividade ao longo do tempo. Podem ser observações de sinais de comunicação, o uso de sistemas de radares ou sistemas de Detecção como as IDS (Intrusion Detection System – Sistema de Detecção de Intrusão) ou IPS (Intrusion Prevention System – Sistema de Prevenção de Intrusão ). O primeiro sistema é mais utilizado para o monitoramento e alerta de ameaças, enquanto o segundo serve mais para protecção automática.

‎O Reconhecimento representa uma acção que envolve a recolha de uma informação específica, geralmente em curto espaço de tempo de uma determinada missão ou objectivo. Tem o propósito de garantir maior segurança e veracidade da inteligência recolhida de diferentes fontes. Esta medida é crítica para o processo de verificação, de maneiras a habilitar operações mais bem sucedidas, reduzindo drasticamente as probabilidades de erros.

‎O aumento de investimento e de recursos associados à Inteligência Artificial em zonas de conflito tem causado preocupações e interrogações, do ponto de vista ético e social, provenientes de governos e de diferentes organizações internacionais, como por exemplo as Nações Unidas. As Nações Unidas em particular, desde o ano 2014, têm debatido activamente sobre a utilização de sistemas de armas autónomos letais, no sentido de limitar ou banir por completo as armas autónomas, por questões de ética e de segurança. Em 2024, houve um aumento da pressão do mesmo assunto e foi aprovada uma resolução para iniciar as conversas sobre uma possível lei. Países poderosos como a Rússia, Índia e os Estados Unidos da América bloquearam o acordo.

‎Para finalizar, nota-se claramente que o uso da IA se torna cada vez mais inevitável, porém requer maior atenção em todos os sentidos, visto que podem ser obtidos dois resultados impactantes, tanto em termos de facilitação e melhorias de serviços e actividades recorrentes, como também maior insegurança ou mesmo danos irreversíveis.

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