A decisão foi anunciada pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, durante a conferência de imprensa realizada em Berlim, onde esteve acompanhada pelo vice-presidente da instituição, Boris Vujčić. Segundo Lagarde, a subida das taxas reforça o compromisso do BCE em conduzir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabilize no objectivo de 2% no médio prazo.
“Não focamos apenas na próxima reunião e nos dados que virão (…), mas fazemos isso porque estamos diante de um nível de incerteza que pode mudar as coisas praticamente da noite para o dia”, afirmou a presidente do BCE.
Nas novas projecções dos técnicos do BCE, a inflação geral deverá atingir uma média de 3% em 2026, antes de abrandar para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Apesar de a previsão para 2026 permanecer inalterada face às projecções de Junho, as estimativas foram revistas em alta para 2027 e 2028.
A pressão sobre os preços deverá continuar particularmente associada à energia. Em Agosto, a inflação da zona euro acelerou para 3,3%, contra 2,9% em Julho, enquanto a inflação dos preços da energia disparou para 14,3%, face aos 10,3% registados no mês anterior. De acordo com o BCE, a subida reflecte sobretudo o aumento das margens de refinação dos combustíveis líquidos e dos preços das matérias-primas energéticas.
Em sentido contrário, a inflação dos alimentos permaneceu estável em 1,2%, enquanto a inflação excluindo energia e alimentos, indicador utilizado para avaliar as pressões subjacentes sobre os preços, recuou de 2,5% para 2,4%. Dentro desta componente, a inflação dos bens aumentou de 0,9% para 1,2%, ao passo que a inflação dos serviços diminuiu de 3,3% para 3%.
Apesar da aceleração dos preços, o BCE considera que as pressões salariais permanecem relativamente contidas. A remuneração por trabalhador cresceu 3,3% no segundo trimestre, abaixo dos 3,5% observados nos primeiros três meses do ano. Ao mesmo tempo, o aumento da produtividade contribuiu para reduzir o crescimento dos custos unitários do trabalho, que desaceleraram de 3,5% para 2,6%.
A inflação mais elevada ocorre num contexto de maior incerteza provocada pelo conflito no Médio Oriente. O BCE considera que os riscos estão inclinados em duas direcções: em alta para a inflação e em baixa para o crescimento económico. Cenários actualizados pelos técnicos da instituição mostram que a evolução dos preços e da actividade económica poderá variar significativamente em função da intensidade e duração do choque energético e dos seus efeitos indirectos.
Apesar deste ambiente, a economia da zona euro demonstrou maior resistência do que o inicialmente esperado. O BCE estima um crescimento de 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028, representando uma revisão em alta das perspectivas para 2026 e 2027.