Finanças & Wall Street

Ring The Bell do Standard: “É a primeira operação com participação expressiva de investidores estrangeiros”, Cristina Lourenço

Alice da Silva

30 Setembro, 2026 - 16:44

Alice da Silva

30 Setembro, 2026 - 16:44

Cristina Lourenço, Presidente da Comissão Executiva da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), durante o discurso de abertura da cerimónia que marcou a admissão à negociação das acções do Standard Bank Angola, realizada hoje, 30 de Setembro, afirmou que, “dentre os 6 215 novos investidores, 39 são não residentes cambiais”

De acordo com a PCE da BODIVA, a Oferta Pública de Venda do Standard Bank resultou num rácio de cobertura de cerca de 379% no segmento do público em geral e contou com a participação de 6 215 investidores, dentre os quais 39 estrangeiros.

“Parece pouco, mas são 39 investidores não residentes cambiais e é a primeira operação com participação expressiva de investidores estrangeiros. Demonstram inequivocamente aquilo que é o interesse dos investidores no nosso mercado, a capacidade de mobilização do mercado e evidencia, de forma clara e plena, aquilo que é a função do mercado de capitais, que, de forma eficiente e transparente, consegue aproximar quem procura capital de quem procura oportunidade de investimento”, enfatizou a PCE da BODIVA.

Segundo Cristina Lourenço, PCE da BODIVA, à data de hoje, após a admissão das acções do Standard Bank Angola, estima-se cerca de AOA 6,00 biliões (US$ 6,57 mil milhões, ao câmbio de hoje) em capitalização bolsista, o que representa pouco mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Octávio Castelo Paulo, Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Standard Bank Angola, declarou que a admissão à cotação significa também um reforço da governação societária.

“Essa admissão significa maior transparência financeira, com reporte mais frequente e mais detalhado. E significa sujeitarmo-nos a um escrutínio acrescido por parte dos reguladores, dos accionistas e dos analistas do mercado. Encaramos esse escrutínio como um mecanismo virtuoso que nos impõe ainda maior disciplina e contribui para o nosso aperfeiçoamento contínuo enquanto instituição”, reforçou o PCA do Standard Bank Angola.

Da Oferta ao Mercado: o Standard Bank de Angola na Bolsa

Durante o painel dedicado a reflectir sobre a trajectória da oferta até à admissão à negociação, Luís Teles, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Standard Bank Angola, deixou claro que é importante trazer activos interessantes ao mercado, defendendo que o Standard Bank mostrou, ao longo do processo, ser um activo que gera interesse.

“Foi uma viagem longa e bastante complexa que só foi possível porque houve um espírito grande de parceria. Não é apenas criar uma área de relação com os investidores, actualizar o site, produzir informação financeira. É necessário obter aprovações regulatórias, no nosso caso, em Angola e na África do Sul; é necessário preparar um prospecto em parceria com a Comissão do Mercado de Capitais (CMC); fazer aumento de capital, Stock Split (ajuste do preço unitário das acções); tivemos que eleger órgãos sociais, tivemos todo um trabalho de base que envolveu alteração de estatutos e políticas internas”, explicou o PCE.

Alegou, no entanto, não ter sido um trabalho difícil para o banco que dirige, por já ter uma cultura de grande transparência, de reporte financeiro e de adopção das melhores práticas internacionais.

Por seu lado, Fábio Guedes, PCE da Standard Invest, relembrou que, há dois anos, era intenção do Estado privatizar a sua participação, abrindo o capital em bolsa. Aproveitou a ocasião para elencar os desafios encontrados na preparação da oferta.

“Pelo caminho, houve grandes desafios e cada um acabou por criar alguma coisa para o mercado. O primeiro desafio foi na estruturação, onde tivemos que articular para poder servir, ao mesmo tempo, as intenções do oferente (IGAPE, em representação do Estado Angolano), do emitente (Standard Bank Angola) e do accionista maioritário (Standard Bank Group)”, esclareceu o PCE da Standard Invest.

Fábio Guedes acrescentou: “A definição do preço foi outro desafio, pois havia necessidade de se encontrar um preço de equilíbrio, que fosse justo para o Estado e atractivo para o investidor. O terceiro desafio foi o acesso; essa operação teve um prazo muito reduzido, de oito dias úteis”.

Para Hugo Santos, Partner da VDA Prime Advogados, também presente no painel, a operação do Standard Bank Angola revela que, quando os advogados colaboram e têm uma abordagem construtiva, as coisas acontecem de forma mais fácil.

“É muito importante percebermos qual é o interesse dos nossos clientes, mas, mais importante ainda, é perceber qual é o interesse maior daquilo de que estamos a participar. E os advogados são mais protagonistas quanto menos vezes aparecem. Saber tratar dos problemas com discrição, na base bilateral, poupar tempo e problemas aos clientes, o que, nessa operação, ao longo de dois anos, houve muitos aspectos que foram tratados na base bilateral para que o processo fosse o mais fluido possível”, declarou Hugo Santos.

Para Álvaro Fernão, Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), o balanço geral do programa de privatizações em bolsa é positivo.

“Elas não são só alienação de activos; criamos uma nova geração de investidores e estamos a contribuir para que o mercado de capitais se posicione como instrumento de desenvolvimento económico”, declarou o PCA do IGAPE.

Questionado sobre a conclusão do programa de privatizações, respondeu que “o programa termina a 31 de Dezembro de 2026 e vamos continuar com a preparação desses activos para a sua privatização dentro do prazo”.

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