Finanças & Wall Street

O sobe e desce da banca não sistémica angolana

Adnardo Barros

6 Agosto, 2024 - 11:20

Adnardo Barros

6 Agosto, 2024 - 11:20

Em ambiente desenhado como nubloso pela consultora Deloitte, que perspectivou um cenário de acentuado retrocesso nas receitas da banca nacional, e faltando dois passos para o balanço financeiro anual, os bancos parecem contrariar o cenário de incerteza económica. A banca de importância não sistémica, mesmo aguardando pelos dados do Banco Valor e do Standard Chartered Angola, anunciou um lucro superior no II trimestre em comparação com o mesmo período em 2023.

As instituições financeiras de importância não sistémica tiveram um lucro de AOA 60,6 mil milhões, correspondente a US$ 71 milhões, no segundo trimestre de 2024, calculou O Telegrama com base nos balancetes publicados. A calculadora aponta para um crescimento de 15%, uma vez que, no segundo trimestre do ano transacto, o lucro foi de AOA 52 mil milhões (US$ 64 milhões) no conjunto dos onze bancos não sistémicos.

Nesta análise, estão de fora o Banco Valor e o Standard Chartered Angola que, até a data presente, não divulgaram as suas demonstrações financeiras, conforme Aviso 05/2019 de 30 de Agosto do Banco Nacional de Angola (BNA).

Das nove instituições que já divulgaram os resultados, o Banco Caixa Geral Angola (BCGA), o Banco de Investimento Rural (BIR), o Banco de Crédito do Sul (BCS), o Banco Comercial Angolano (BCA) e o Access Bank Angola detêm uma quota de 92% do total dos lucros apresentados.

O BCGA, presidido por João Plácido Pires, foi de longe o que mais lucrou entre Abril e Junho, tendo contabilizado AOA 22 mil milhões, equivalente a US$ 25 milhões, ao câmbio do período do Banco Central, mantendo, assim, a posição de comando da banca não sistémica.

O Banco BIR, presidido pela banqueira Lígia Pinto Madaleno, reafirmou a sua posição no pódio ao manter-se como segundo maior banco entre os não sistémicos, com um lucro líquido de AOA 13 mil milhões (US$ 15,5 milhões). O banco, que possui pouco mais de 15 mil clientes, viu o lucro crescer 3% face ao mesmo período em 2023.

O Banco de Crédito Sul (BCS), em cuja presidência da Comissão Executiva está Rafael Arcanjo Kapose, o jovem banqueiro de 36 anos, relegou o Banco Yetu para o sexto lugar. O BCS foi a entidade financeira que mais cresceu dentro da pequena banca nacional, com os dados a apontarem para uma margem de 162%. O lucro alcançado pelo banco da família Kapose foi de AOA 8,4 mil milhões, equivalente a US$ 9 milhões.

Já o Banco Comercial Angolano (BCA) subiu três posições no ranking da pequena banca, depois do sétimo lugar alcançado em 2023. A equipa de Mateus Filipe Martins viu o lucro antes de imposto registar um aumento de 127%, saindo de AOA 1,9 mil milhões (US$ 2,3 milhões) para AOA 4,3 mil milhões (US$ 5,2 milhões) numa comparação homóloga, ocupando, agora, a quarta posição.

Na quinta posição, temos o retrato da entidade financeira de origem nigeriana, o Access Bank Angola, que pula três lugares, saindo da oitava posição no segundo trimestre de 2023. A equipa do auditor Rui Martins Pereira obteve, no II trimestre de 2024, um lucro de AOA 3,92 mil milhões (US$ 4,6 milhões), posicionando-se, assim, no big five dos bancos que mais lucraram no segundo trimestre.

Neste balanço, a queda do Banco Yetu marcou a temporada de resultados da banca. Entidade alterou a composição do seu board em Abril passado, decaiu três lugares, saindo da terceira para sexta posição. No segundo trimestre deste ano, o banco presidido por João da Costa Ferreira recuou no lucro de 42%, ao sair de AOA 6,2 mil milhões (US$ 7,6 milhões) para AOA 3,6 mil milhões (US$ 4,2 milhões de USD).

A sétima posição é ocupado pelo Banco Comercial do Huambo (BCH). As demonstrações financeiras da entidade presidida por Cristina Lavrador registaram um crescimento de 26,11% para AOA 2,7 mil milhões (US$ 3,2 milhões) no II trimestre de 2024, em comparação ao período homólogo, em que o resultado esteve fixado em AOA 2,1 mil milhões, equivalente a 2,6 milhões da moeda norte-americana.

O Banco da China foi o que menos lucrou neste período. A sucursal chinesa teve um registo nos lucros de AOA 2,5 mil milhões (US$2,9 milhões). Assim, o banco de origem chinesa é o 8.ª classificado entre os não sistémicos, faltando duas instituições que ainda não publicaram os seus resultados.

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