A recuperação da procura por matérias-primas destinadas à indústria petroquímica deverá sustentar grande parte desse crescimento, embora o efeito seja parcialmente compensado pela desaceleração contínua do consumo de gasolina. À semelhança do observado nos últimos anos, os países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) deverão concentrar a totalidade da expansão da procura em 2026, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
O fornecimento global de petróleo registou uma queda mensal de 350 mil barris por dia (kb/d) em Dezembro, fixando-se em 107,4 milhões de barris diários (mb/d), segundo os dados do mercado. Apesar da retracção, o volume permanece elevado, ainda que 1,6 mb/d abaixo do recorde histórico alcançado em Setembro, sinalizando um ajustamento pontual após meses de expansão contínua da oferta.
A redução foi impulsionada, sobretudo, pela menor produção do Cazaquistão e por cortes observados em vários países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no Médio Oriente, em um cenário de gestão mais cautelosa da oferta. Esse movimento, no entanto, foi parcialmente compensado por uma forte recuperação da produção russa, que voltou a desempenhar papel relevante na estabilização do fornecimento global.
Apesar do recuo registado no final do ano, as perspectivas de curto e médio prazos permanecem positivas. As projecções indicam que o fornecimento mundial de petróleo deverá aumentar em 2,5 mb/d em 2026, alcançando 108,7 mb/d, após uma expansão ainda mais expressiva, estimada em 3 mb/d em 2025.
O crescimento da oferta continuará a ser liderado por produtores fora do cartel OPEP+, que deverão responder por 1,8 mb/d do aumento previsto em 2025 e por 1,3 mb/d em 2026.
O fluxo global de petróleo bruto processado em refinarias registou um forte avanço no final de 2025, ao aumentar cerca de 2 milhões de barris por dia (mb/d), atingindo 85,7 mb/d em Dezembro, em antecipação à manutenção sazonal prevista para o primeiro trimestre de 2026. As paradas programadas devem abranger as principais regiões de refinação, Estados Unidos, Europa, Médio Oriente e Ásia, condicionando o ritmo operacional no início do próximo ano.
Os dados indicam que, apesar do pico observado em Dezembro, as corridas globais de petróleo bruto deverão estabilizar em 2026, com uma média estimada de 84,6 mb/d, o que representa um crescimento anual de 770 mil barris por dia (kb/d). Esse desempenho, embora positivo, revela uma desaceleração em relação a 2025, quando o aumento anual foi mais acentuado, na ordem de 930 kb/d.
Estoques globais de petróleo registam forte aumento no final de 2025
Os estoques globais de petróleo registaram um aumento considerável em Novembro do ano passado, influenciando o equilíbrio entre oferta e procura no mercado energético internacional. De acordo com o relatório, os volumes armazenados cresceram 75,3 milhões de barris (mb) no penúltimo mês de 2025, o equivalente a 2,5 milhões de barris por dia (mb/d), com o petróleo bruto representando 96% desse incremento, sobretudo em instalações localizadas nos principais centros de armazenamento.
No conjunto de 2025, os estoques totais de petróleo observados aumentaram 433 mb em relação ao início do ano, traduzindo-se em um acréscimo médio de 1,3 mb/d. Nos países da OCDE, os estoques da indústria subiram 7,3 mb em Novembro, atingindo um total de 2 838 mb. Dados preliminares relativos a Dezembro de 2025 apontam para a continuação da tendência de crescimento dos estoques globais, desta vez liderada principalmente pela acumulação de produtos refinados.