CPLP +

China domina quase metade das reservas mundiais de terras raras

Bernardo Bunga

10 Abril, 2026 - 14:32

Bernardo Bunga

10 Abril, 2026 - 14:32

O relatório Elementos de Terras Raras 2026, divulgado pela Agência Internacional de Energia, revela que as reservas mundiais de elementos de terras raras (ETR) permanecem amplamente distribuídas a nível geográfico, embora marcadas por fortes assimetrias tanto na sua dimensão como nos padrões de reporte estatístico entre países

De acordo com as estimativas actualizadas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, sigla em inglês), o volume global dessas reservas já supera os 90 milhões de toneladas de óxido de terras raras equivalente. A distribuição geográfica das reservas globais de elementos de terras raras (ETR) em 2026 revela uma forte concentração em poucos países, com destaque evidente para a China, que detém cerca de 44 milhões de toneladas métricas, correspondendo a 48,9% do total mundial.

Na segunda posição surge o Brasil, com aproximadamente 21 milhões de toneladas (23,3%), afirmando-se como uma das principais alternativas à hegemonia chinesa no fornecimento destes minerais. Em seguida, a India, com 7,2 milhões de toneladas (8%), e a Australia, com 6,3 milhões de toneladas (7%), reforçam o papel da região Ásia-Pacífico como um eixo importante no mapa global das terras raras, com potencial de expansão produtiva e maior integração nas cadeias industriais internacionais.

Outros países com participação relevante incluem a Rússia, com 3,8 milhões de toneladas (4,2%), e o Vietname, com 3,5 milhões de toneladas (3,9%), enquanto os Estados Unidos da América (EUA) apresentam uma participação mais reduzida, estimada em 1,9 milhões de toneladas (2,1%). O restante do mundo concentra uma parcela residual das reservas, o que demonstra a limitada dispersão geográfica destes recursos estratégicos.

O mercado global de elementos de terras raras mantém uma dimensão relativamente modesta quando comparado com os principais mercados de metais industriais, mas tem registado um crescimento consistente, impulsionado pela intensificação da procura associada à electrificação das economias e ao avanço de tecnologias de ponta. Estima-se que o valor total deste mercado ronde actualmente os US$ 6,4 mil milhões.

Apesar da sua dimensão relativamente reduzida em termos financeiros, o papel destes elementos é desproporcionalmente relevante no funcionamento das economias modernas. As terras raras constituem insumos críticos em múltiplos sectores estratégicos, desde infra-estruturas energéticas e componentes automóveis até à manufatura avançada, equipamentos médicos, indústria aeroespacial, defesa e tecnologias digitais.

Preços, dimensão do mercado e aplicações

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a fixação dos preços das terras raras continua a depender, em grande medida, das avaliações publicadas por agências de informação sobre preços. A maioria dos preços de referência é divulgada por entidades sediadas na China, cujos valores são amplamente utilizados como padrão no sector, apesar de existirem diferenças regionais significativas nas condições de mercado que nem sempre são reflectidas nessas cotações.

Desde 2019, o mercado de terras raras tem sido marcado por uma elevada volatilidade. Os preços registaram uma trajectória de subida ao longo de 2021, atingindo um pico no início de 2022, período em que várias matérias-primas deste grupo chegaram a ser negociadas entre duas a quatro vezes acima dos níveis de 2019. Este movimento foi influenciado por restrições na oferta global, recuperação da procura industrial e pelo aumento da pressão associada à transição energética e à expansão das tecnologias de ponta.

Após esse ciclo de forte valorização, os preços entraram numa fase de estabilização em 2024 e no início de 2025. No entanto, essa estabilidade revelou-se frágil, tendo os preços voltado a subir na sequência dos anúncios da China relativos ao reforço do controlo das exportações, em Abril e Outubro, reacendendo a volatilidade no mercado.

Partilhar nas Redes Sociais

Bernardo Bunga

EDITOR DE ECONOMIA & OIL

Bernardo Bunga é Editor de Economia & Oil no O Telegrama e possui mais de 5 anos de experiência em análise económica e planeamento financeiro. Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Angola (UCAN), detém, também, o bacharel em Gestão Financeira pela Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Fez parte da equipa de consultores que prestou consultoria ao Banco Mundial, ao Ministério do Planeamento e ao Ministério das Finanças para a harmonização de salários e subsídios dos projectos da representação em Angola do Banco Mundial. Actuou como consultor na Global Education e na Knowledge – Consultores & Auditores. Possui formações em planeamento e estratégia de tomada de decisão, teoria das restrições – Lean e Six Sigma (TLS), Excel Avançado e Análise de Dados.

+ LIdas

Leia também

error: Conteúdo protegido!!