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Economia mundial cresce 3,3% em 2025 e 2026, mas perde fôlego em 2027

Bernardo Bunga

19 Janeiro, 2026 - 20:15

Bernardo Bunga

19 Janeiro, 2026 - 20:15

O World Economic Outlook, publicado esta segunda-feira, 19 de Janeiro, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), traça um quadro de crescimento económico global moderado e ligeiramente descendente até 2027, num contexto marcado por condições financeiras ainda restritivas, riscos geopolíticos persistentes e uma recuperação desigual entre regiões

De acordo com a actualização do World Economic Outlook, divulgada hoje pelo FMI, a economia mundial deverá crescer 3,3% em 2025 e 2026, desacelerando marginalmente para 3,2% em 2027. Embora o desempenho global se mantenha relativamente estável, o FMI sublinha que o dinamismo económico continua a variar de forma significativa entre economias avançadas e regiões emergentes e em desenvolvimento.

Nas economias avançadas, o crescimento mantém-se contido. Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 2,1% em 2025, acelerar 0,3 ponto percentual (p.p.) para 2,4% em 2026 e abrandar para 2% em 2027, reflectindo o impacto cumulativo de uma política monetária restritiva e a normalização gradual da procura interna. Já a Zona Euro apresenta um desempenho mais modesto, com crescimento estimado em 1,4% em 2025, recuo para 1,3% (-0,1 p.p.) em 2026 e ligeira recuperação para 1,4% em 2027, num cenário condicionado por elevados custos energéticos e ajustamentos fiscais em vários Estados-membros.

Em contraste, as economias emergentes e em desenvolvimento continuam a ser o principal motor da expansão global. A Ásia emergente e em desenvolvimento lidera as projecções, apesar de uma trajectória descendente, com crescimento de 5,4% em 2025, 5% em 2026 e 4,8% em 2027, influenciado pela desaceleração gradual da economia chinesa e pela normalização do crescimento no período pós-pandemia.

O Médio Oriente e a Ásia Central deverão manter um ritmo sólido de expansão, com crescimento estimado em 3,7% em 2025, acelerando para 3,9% (+0,3 p.p.) em 2026 e para 4% em 2027, sustentado pela recuperação do sector energético, pelo aumento do investimento público e pela implementação de reformas estruturais em alguns países da região.

A África Subsaariana destaca-se, igualmente, com projecções de crescimento de 4,4% em 2025 e de 4,6% tanto em 2026 como em 2027. Segundo o FMI, este desempenho é apoiado pela estabilização macroeconómica e pelos esforços de reforma em várias das principais economias da região.

Por sua vez, a América Latina e o Caribe deverão apresentar uma trajectória mais volátil, com crescimento de 2,4% em 2025, desaceleração para 2,2% em 2026 e retoma para 2,7% em 2027. A região continua condicionada por restrições fiscais, fraca produtividade e incertezas políticas, apesar de sinais pontuais de recuperação em algumas das maiores economias.

Em relação ao comportamento dos preços nível global, a instituição de Bretton Woods destaca que “a inflação global se tem mantido relativamente estável. Embora a mediana global da inflação sequencial tenha registado um ligeiro fortalecimento, tanto nas taxas gerais como nas taxas subjacentes, a inflação anual tem permanecido estável, surpreendendo ligeiramente em baixa. Ainda assim, nos Estados Unidos, o elevado custo de vida continua a ser a principal preocupação apontada nas pesquisas junto das famílias, e as expectativas de inflação para um horizonte de um ano mantêm-se elevadas, tal como os preços dos insumos reflectidos nos índices de gestores de compras (PMI) do sector manufatureiro”.

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Bernardo Bunga

EDITOR DE ECONOMIA & OIL

Bernardo Bunga é Editor de Economia & Oil no O Telegrama e possui mais de 5 anos de experiência em análise económica e planeamento financeiro. Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Angola (UCAN), detém, também, o bacharel em Gestão Financeira pela Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Fez parte da equipa de consultores que prestou consultoria ao Banco Mundial, ao Ministério do Planeamento e ao Ministério das Finanças para a harmonização de salários e subsídios dos projectos da representação em Angola do Banco Mundial. Actuou como consultor na Global Education e na Knowledge – Consultores & Auditores. Possui formações em planeamento e estratégia de tomada de decisão, teoria das restrições – Lean e Six Sigma (TLS), Excel Avançado e Análise de Dados.

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