O governo português prepara-se para criar um mecanismo de perda alargada de bens, que pode incluir, em certos casos, a dispensa do pressuposto da condenação, avança o Correio da Manhã. A medida faz parte do pacote anticorrupção, uma promessa e prioridade assumida pelo governo de Luís Montenegro desde o primeiro momento.
Este instrumento, que visa combater o enriquecimento ilícito, pretende assegurar que os corruptos não ficam com o produto da sua conduta criminosa que, de acordo com dois diplomas já em vigor, presume-se que abranja a diferença entre o património e os rendimentos declarados no Imposto de Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) e os sinais de riqueza exibidos, embora o arguido tenha sempre a possibilidade de provar que esta presunção não é verdadeira.
As “mais de 30 medidas” assentes em “três eixos — prevenção, educação e repressão”, como indicou recentemente a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, devem ser implementadas de imediato, sem prejuízo de, no decorrer da legislatura actual, ser preparada e aprovada uma nova Estratégia Nacional Anticorrupção.