O estudo conduzido pela Surfshark, empresa de cibersegurança de origem lituana, e com sede em Amsterdã, tendo avaliado 121 países com base em indicadores como acesso à internet, qualidade da conectividade, infra-estrutura digital, segurança digital e preparação para a inteligência artificial, Angola registou um Índice de Qualidade de Vida Digital de 0,3466 pontos em 2025, representando uma queda de 0,0024 pontos em relação ao valor apurado em 2024, quando alcançou 0,3490 pontos, mas substancialmente superior aos níveis observados em 2022 (0,2432 pontos) e 2023 (0,2937 pontos).
No contexto africano, o ranking é liderado pelas Ilhas Maurícias, com um índice de 0,4795 pontos, seguida por Marrocos (0,4577) e África do Sul (0,4380), enquanto países como Tunísia, Egipto e Gana, com pontuações de 0,4300, 0,4094 e 0,4085, respectivamente, completam o grupo dos primeiros classificados. Angola surge imediatamente após, junto de Botswana (0,3506) e Argélia (0,3497), integrando um conjunto intermédio de economias africanas que apresentam avanços relevantes no domínio digital.
”Infra-estrutura e segurança digital ainda deficitárias”
Apesar deste desempenho, a análise desagregada dos indicadores revela desafios significativos. Angola ocupa posições pouco favoráveis em variáveis determinantes para a competitividade económica, como a qualidade da internet, a infra-estrutura digital, a segurança digital e, sobretudo, a preparação para a inteligência artificial.
Não obstante a posição relativamente favorável de Angola no ranking africano do Índice de Qualidade de Vida Digital 2025, a leitura detalhada dos indicadores exibe fragilidades basilares que condicionam o impacto económico da digitalização. Os dados do estudo da Surfshark realçam que o desempenho global do país é fortemente sustentado pela acessibilidade à internet, indicador em que Angola ocupa a segunda posição a nível mundial, com uma pontuação de 0,1155. O resultado deste indicador indica uma ampla disponibilidade de acesso básico à internet, associada, sobretudo, à cobertura das redes móveis e à redução relativa dos custos de acesso.
De acordo com a metodologia da Surfshark, “a acessibilidade da internet determina quanto tempo as pessoas precisam trabalhar para garantir uma conexão estável. A acessibilidade da conexão com a internet impacta directamente sua usabilidade. Uma internet menos acessível impacta o bem-estar digital e vice-versa”.
No entanto, este avanço não é acompanhado por melhorias equivalentes nos restantes pilares do Índice de Qualidade de Vida Digital. No que diz respeito à qualidade da internet, Angola ocupa o 108.º lugar global das 121 posições possíveis, com um valor de apenas 0,04, expondo limitações persistentes em termos de velocidade, estabilidade da ligação e latência. Esta fraca qualidade da conectividade reduz significativamente a capacidade de utilização produtiva da internet, afectando actividades como ensino à distância, teletrabalho, comércio electrónico e digitalização dos serviços empresariais.
A situação é ainda mais crítica no domínio da infra-estrutura digital, onde o país surge na 113.ª posição mundial, com uma pontuação de 0,08. Este indicador traduz insuficiências ao nível de redes de fibra óptica, data centers, interconexões nacionais e internacionais e capacidade de processamento de dados. A fragilidade da infra-estrutura limita tanto a qualidade da internet quanto a adopção de tecnologias mais avançadas.
No campo da segurança digital, Angola ocupa o 106.º lugar a nível global, com um índice de 0,04, apontando vulnerabilidades em matéria de cibersegurança, protecção de dados e confiança no uso de plataformas digitais. Este fator representa um risco acrescido para empresas, instituições financeiras e serviços públicos.
O indicador mais desfavorável é o da inteligência artificial, no qual Angola aparece na 118.ª posição mundial, com uma pontuação de 0,07. O país está apenas três lugares acima do último classificado neste indicador.
Ao se analisar minuciosamente os dados da Surfshark, é possível notar que o desempenho agregado do país no Índice de Qualidade de Vida Digital 2025 assenta sobretudo na expansão do acesso à internet, mas não na robustez, qualidade e sofisticação do ecossistema digital.
