O Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC), medido pela média móvel trimestral (VE-MM3), revela um padrão de pessimismo entre 2021 e 2023, apresentando a persistência de fragilidades económicas que continuam a limitar as expectativas das famílias.
Entre o quarto trimestre de 2019 e o terceiro trimestre de 2025, o indicador permaneceu sistematicamente abaixo da linha de referência, comportamento que, segundo o INE, “reflecte uma melhoria nas expectativas das famílias angolanas, apesar de a percepção geral sobre a situação económica permanecer negativa”.
No final de 2019, o ICC encontrava-se ainda relativamente próximo do limiar de neutralidade, mas entrou numa trajectória descendente abrupta ao longo de 2020, coincidindo com o impacto da pandemia, a contracção da actividade económica e a deterioração do mercado de trabalho. Nesse período, o indicador atingiu o seu ponto mais baixo, ultrapassando a fasquia dos 20 pontos negativos.
Ao longo de 2021 e no início de 2022, observou-se uma recuperação gradual e consistente da confiança. Este movimento culminou no terceiro trimestre de 2022, quando o indicador se aproximou do seu melhor desempenho da série, situando-se abaixo dos 5 pontos negativos. Embora ainda em território negativo, este valor revelou uma melhoria do sentimento dos consumidores, sem, contudo, alcançar um nível de confiança positiva.
A partir de 2023, o cenário voltou a deteriorar-se. O indicador entrou novamente numa trajectória descendente, afastando-se progressivamente da linha de referência ao longo desse ano, expondo um agravamento das percepções das famílias quanto à sua situação financeira actual e às perspectivas económicas de curto prazo.
Em 2024, o pessimismo das famílias intensificou-se de forma clara. Nesse ano, o ICC aproximou-se dos 20 pontos negativos, registando uma das quedas mais acentuadas dos últimos seis anos e aproximando-se novamente dos mínimos históricos observados em 2020.
Já em 2025, os dados disponíveis até ao terceiro trimestre apontam para uma ligeira recuperação da confiança, com o ICC a fixar-se em cerca de 15 pontos negativos no período em análise. Ainda assim, este valor é considerado insuficiente para alterar o quadro geral. O indicador sobe de forma moderada, mas permanece significativamente abaixo da linha de referência, indicando que a melhoria do sentimento é frágil e dependente de factores conjunturais, não traduzindo ainda uma inversão estrutural das expectativas.
“A evolução do indicador de confiança no período em análise resultou do aumento das expectativas das famílias angolanas em relação à situação económica do país, à situação financeira dos consumidores e à redução dos níveis de desemprego, bem como à situação económica actual das famílias”, lê-se no documento.