Segundo a organização, os governos dos países-membros reuniram-se, na semana passada, para avaliar a evolução dos mercados petrolíferos, com particular atenção ao gasóleo, e analisar o andamento da operação de libertação emergencial de reservas anunciada a 11 de Março de 2026, na sequência das perturbações no Estreito de Ormuz.
Durante o encontro, os países participantes manifestaram apoio à aceleração da disponibilização das reservas, com o objectivo de concluir a operação o mais rapidamente possível. Defenderam, igualmente, que, dentro das possibilidades existentes, seja dada prioridade à libertação de stocks de gasóleo, face ao aperto sem precedentes registado neste mercado nas últimas semanas.
A pressão sobre o abastecimento resulta da conjugação de vários factores, nomeadamente das interrupções nos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz e da redução da oferta russa, associada a ataques ucranianos contra refinarias de petróleo na Rússia.
Perante este cenário, o director executivo da AIE, Fatih Birol, apelou aos governos-membros para identificarem medidas adicionais que permitam acelerar e ampliar a libertação das reservas, mantendo o gasóleo entre as principais prioridades da resposta de emergência.
De acordo com Birol, a acção colectiva iniciada em Março de 2026 continua em curso e constitui um quadro de referência para a adopção de novas medidas de curto prazo. O responsável considera que a cooperação entre os países-membros poderá voltar a demonstrar a capacidade da organização para actuar conjuntamente em defesa da segurança energética e da estabilidade económica.
A avaliação dos resultados das medidas adoptadas deverá continuar na reunião do Conselho de Administração da AIE, prevista para quinta-feira, 15 de Outubro, que permitirá analisar o progresso das iniciativas e discutir os próximos passos perante a evolução dos mercados.
A crise do abastecimento de gasóleo também esteve no centro das discussões entre os líderes do G7, numa reunião em que participou Fatih Birol, a convite do Presidente francês, Emmanuel Macron, cujo país assume a presidência do grupo em 2026. O encontro abordou as condições dos mercados globais de energia, com destaque para as dificuldades no fornecimento de combustíveis.
Entre os participantes estiveram o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A situação foi, igualmente, discutida numa reunião dos ministros da Energia da União Europeia, realizada em Dublin, sob a organização do ministro irlandês do Clima, Energia e Ambiente, Darragh O’Brien. Na ocasião, Birol destacou os desafios enfrentados pela Europa nos mercados de combustíveis, particularmente no gasóleo e no gás natural, defendendo uma cooperação mais estreita em matéria de segurança energética.
A AIE deverá divulgar novas análises sobre a evolução dos mercados no seu Relatório Mensal do Mercado de Petróleo, previsto para quarta-feira (14), com dados actualizados sobre a situação do sector e os efeitos das perturbações no abastecimento internacional.