Na Conferência sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola, organizada pelo Fundo Soberano de Angola (FEDESA) e a Internacional Finance Corporation (IFC) do Banco Mundial, ocorrida na última quinta-feira (05.03), em Luanda, a empresária Elizabeth dos Santos Burity afirmou que o desenvolvimento da cadeia de frango em Angola precisa de um modelo angolano com experiência local para solução do sector avícola.
No painel, que debruçou sobre as “Oportunidades e Desafios no Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Frango”, a presidente-fundadora da Fazenda Pérola do Kikuxi disse, entretanto, que a questão do desenvolvimento da avicultura em Angola, não é avícola nem industrial, mas sim estrutural.
“Nós precisamos desenhar um modelo angolano, e só quem vive em Angola, quem tem experiência local é capaz de apresentar soluções para o País”, disse Elisabete Burity, quando questionada sobre como o sector privado poderia actuar e ajudar a desenvolver a cadeia de valor de frango.
Quanto à experiência do Brasil como um dos maiores exportadores de frango no mundo, a empresária não tem dúvidas da sua relevância, mas entende que o país da América do Sul é uma solução para venda de equipamentos para Angola, “mas não para produção interna”.
“Nós temos problemas muito nosso, e fico espantada quando falam que o nosso problema é nutricional, o nosso problema é o plano nutricional. Nós precisamos desenvolver o plano nutricional para avicultura que atende às necessidades, não só desnutrição populacional, como também nutrição para proteína mais barata”, considerou a fundadora da Fazenda Pérola do Kikuxi.
De acordo com dados oficiais, O país gasta, diariamente, US$ 850 mil na compra de mil toneladas de carne de frango por ano, enquanto a produção nacional se situa em cerca de 30 mil toneladas, representando uma dependência externa próxima de 60 por cento.
Os números avançados deixam indignada a maior produtora de ovos nacional, que, na sua opinião, tal facto tem origem nos vícios e jogos de interesses instalados, dando como exemplo, o facto do custo de produção não ter que ver apenas com o produtor, e sim com toda a cadeia, desde o financiamento, equipamentos e construção. E pior: “é quando os projectos estruturantes do país são obrigados a comprar as principais matérias-primas, que é o milho e a soja, entre aspas, isso é o que nos acostumaram, mas não é verdade, aos principais importadores”.
“O preço do ovo só fica caro, quando aquela rede que, na verdade, não produz ovos nem frango importa, cria um estrangulamento nos produtores nacionais, e depois são eles que nos importam a matéria-prima, nos compram produtos e vendem o nosso produto mais caro”, disse Elisabete, acrescentando que, em toda verdade, não lhe parece que os programas do governo estejam todos mal-executados, mas existe um grande problema na operacionalidade.
“O grande problema em Angola são os jogos de interesses e o conflito de interesses”, concluiu