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O que se espera da primeira reunião do Comité de Política Monetária do BNA? ‎

Adelina Miala

12 Janeiro, 2026 - 08:21

Adelina Miala

12 Janeiro, 2026 - 08:21

O órgão de política monetária do Banco Nacional de Angola (BNA) estará reunido, durante dois dias, amanhã e quarta-feira, num contexto em que a inflação homóloga de Dezembro recuou para 15,7%, posicionando-se abaixo da meta definida pelo Banco Central. Este facto surge como uma importante almofada para a autoridade monetária no momento de avaliação e definição das próximas orientações da política monetária

‎Na sede do Banco Central, na Marginal de Luanda, os responsáveis pela avaliação do desempenho da política monetária, da evolução da inflação, da liquidez do sistema financeiro e da dinâmica do mercado cambial, estarão reunidos, à porta fechada, durante dois dias, naquela que será a sua 127.ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM).

‎Na última reunião do organismo, realizada nos dias 17 e 18 de Novembro último, o BNA decidiu reduzir a Taxa Directora de 19,0% para 18,5%. Em linha com esta decisão, foram, igualmente, revistas em baixa as taxas das facilidades permanentes, com a Facilidade de Cedência de Liquidez a recuar de 20,0% para 19,5% e a Facilidade de Absorção de Liquidez de 17,0% para 16,5%.

‎Para a reunião que se segue, os resultados e as deliberações do encontro serão apresentados durante a habitual conferência de imprensa, agendada para o dia 14 de Janeiro, às 15h00.

‎Olhando para a trajectória definida nos últimos meses e nos dados mais recentes, o economista Victor Massiala afirma que “a expectativa mais prudente é que o Bano Nacional de Angola mantenha a taxa de juro de referência em 18,5%, iniciando o ano com uma postura de observação e consolidação dos ganhos já alcançados”.

‎O economista realça, por outro lado, que “esta opção pela manutenção, em vez de um novo corte, fundamenta-se, na necessidade de consolidar a credibilidade da política monetária num contexto de crescimento desacelerado e extremamente sensível ou em volta a muitas incertezas a nível do mercado doméstico e internacional”.

‎Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao mês de Dezembro de 2025, indicam que a taxa de inflação anual se fixou em 15,7%, representando uma redução de 11,8 pontos percentuais face aos 27,5% registados em 2024.

‎Ainda assim, estes dados indicam sinais de ligeira aceleração no curto prazo. Entre Novembro e Dezembro de 2025, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou uma variação mensal de 0,95%, a mais elevada desde Outubro do mesmo ano, quando o indicador se situara em 0,86%. Trata-se, igualmente, da primeira aceleração mensal observada nos últimos seis meses, após um período de desaceleração contínua desde Junho de 2025.

‎Para o economista Mafinamene Bingana, “do ponto de vista económico, a próxima reunião do Comité de Política Monetária (CPM) ocorre num momento de transição do ciclo monetário, marcado por uma desinflação significativa”.

‎Bingana enfatiza que “este desempenho cria espaço técnico para a continuação da flexibilização monetária”, mas observa que “a decisão deverá ser guiada pela necessidade de consolidar a ancoragem das expectativas inflacionistas e evitar riscos prematuros sobre a estabilidade cambial”.

‎“Assim, o cenário base aponta para a manutenção da taxa BNA nesta reunião, com um viés acomodadiço claramente assumido”, finalizou o economista.

‎Em relação à taxa de câmbio, desde o início de Janeiro até ao final de Dezembro de 2025, o câmbio manteve-se concentrado num intervalo em torno dos 912 kwanzas por dólar.

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