Armando Mota sublinhou que o microsseguros não deve ser visto apenas como um segmento de baixo prémio, mas como um instrumento estratégico de inclusão, escala e sustentabilidade do mercado.
“Num país com uma população maioritariamente jovem, com rendimentos médios limitados e elevada informalidade económica, o modelo tradicional de seguros continuará sempre a ter um alcance restrito. Então o microsseguro permite quebrar essa barreira, ao adaptar produtos, preços, canais e processos à realidade socioeconómica da maioria da população”, disse.
Por outro lado, o operador acredita ainda que, mais do que criar novos produtos, o desafio deste segmento está em simplificar a proposta de valor, reduzir drasticamente a complexidade contratual, assegurar rapidez e previsibilidade na regulação de sinistros e construir confiança, elemento absolutamente central num mercado ainda pouco penetrado.
Armando Mota acredita que o microsseguros, quando bem estruturado, traz vários impactos fundamentais, nomeadamente, o aumento efectivo da taxa de penetração, porque, ao chegar a segmentos, hoje totalmente excluídos do sistema segurador, vai permitir que o mercado cresça com profundidade. A criação de escala e base futura de clientes e o impacto económico e social positivo.
Para que este potencial se concretize, o especialista entende que é essencial que o microsseguro esteja associado a canais de distribuição alternativos (digital, mobile, parcerias com bancos, operadores de telecomunicações, cooperativas, redes comerciais) custos operacionais muito controlados, suportados por tecnologia e automação; e um enquadramento regulatório pragmático, que proteja o consumidor sem inviabilizar modelos de baixo custo.
2026 “será desafiante”
Relativamente às perspectivas para 2026, Armando Mota acredita que, este ano, deverá ser mais um ano exigente, mas positivo para o sector. O crescimento continuará a existir, mas com maior foco na qualidade, na rentabilidade técnica e na eficiência operacional. “As seguradoras são cada vez mais avaliadas pela sua capacidade de crescer de forma equilibrada, com disciplina técnica, bons níveis de serviço e governação robusta. Quem o não fizer estará a traçar o caminho para a inviabilidade do negócio”, afirmou.
E acrescentou: “Espera-se que seja finalmente o ano que se concretize o plano para tornar efectivamente obrigatórios os seguros legalmente obrigatórios, em particular o seguro automóvel de responsabilidade civil e o seguro de acidentes de trabalho. Só com a aplicação prática e consistente destas obrigatoriedades será possível dar escala ao sector, reduzir distorções concorrenciais e aumentar de forma significativa a taxa de penetração do seguro em Angola”.
Novas tecnologias
O facto de 2025 ser um ano em que muitas seguradoras começaram a usar IA apenas para atendimento (chatbots), em 2026, o especialista do sector acredita que vai começar haver passos mais consistentes no apoio à subscrição, análise de risco, detecção de fraude e análise de dados. Será um processo gradual, dependente da qualidade dos dados, dos sistemas e do enquadramento regulatório, acreditando que será um caminho inevitável para o sector.