O mercado cambial internacional reagiu com prudência às recentes declarações de Donald Trump sobre a Gronelândia, que reintroduziram um elemento de incerteza geopolítica e comercial na relação entre Washington e a Europa.
Na sequência do pronunciamento, observou-se um movimento típico de reprecificação do risco político, com reflexos imediatos nos mercados financeiros. As bolsas europeias registaram perdas moderadas, enquanto os investidores ajustaram posições em activos mais sensíveis a choques geopolíticos.
No mercado cambial, o dólar perdeu tração, reflectindo a percepção de que uma eventual escalada proteccionista poderá implicar custos económicos internos para os Estados Unidos, nomeadamente ao nível do comércio externo, da inflação importada e da confiança dos investidores internacionais. Este ajustamento beneficiou o euro, permitindo ao EUR/USD ganhar algum terreno, ainda que num ambiente marcado por elevada volatilidade.
Dólar, entre activo de refúgio e risco político
Tradicionalmente, o dólar assume o papel de activo de refúgio em períodos de instabilidade global. Contudo, quando a origem da incerteza é endógena à política norte-americana, essa dinâmica tende a inverter-se.
Foi precisamente esse efeito que os mercados começaram a incorporar: a percepção de que decisões unilaterais ou confrontacionais podem enfraquecer a posição do dólar no curto prazo. Analistas sublinham que o movimento recente do EUR/USD não resulta de uma melhoria estrutural dos fundamentos económicos da Zona Euro, mas sim de uma penalização temporária do dólar, associada ao aumento do prémio de risco político dos Estados Unidos.