Finanças & Wall Street

Banco Sol vai encerrar mais 20 agências e despedir mais de 100 colaboradores 

José Praia

15 Janeiro, 2026 - 21:45

José Praia

15 Janeiro, 2026 - 21:45

A administração do Banco Sol prossegue com o seu Plano de Recapitalização e Restruturação (PRR), aprovado pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que foi chamado a intervencionar para garantir a sustentabilidade no mercado da entidade bancária de importância sistémica. Desenhado pela Comissão Executiva, presidido por Osvaldo Lemos Macaia, o Plano deve ser implementado num período máximo de 3 anos (2025-2027). Depois de, em Junho passado, ter encerrado 39 balões, o Banco anunciará amanhã o encerramento de mais 20 agências e o consequente despendimento de mais de cem trabalhadores

Nesta sexta-feira, 16 de Janeiro, o Banco Sol vai anunciar o encerramento de mais agências em diversas províncias do País. De acordo com fonte do O Telegrama, nesta segunda fase, serão encerradas 20 balcões e estarão abrangidos mais de uma centena de funcionários dos diversos departamentos, com maior incidência para a área comercial, também conhecida por front office.

Na primeira fase, anunciada a 06 de Junho de 2025, foram encerradas 39 agências, abrangendo 10 províncias, nomeadamente, Luanda, Benguela, Kwanza Sul, Malange, Namibe, Moxico, Cunene, Cabinda, Huíla e Uíge. O comunicado de imprensa da entidade não chegou a avançar o número de colaboradores despedidos. Somam, assim, 59 agências encerradas no cumprimento do PRR.

A medida faz parte do Plano de Recuperação e Restruturação (PPR), aprovado pelo Banco Central, a 24 de Abril de 2025, em cumprimento da exigência da Lei do Regime Geral das Instituições Financeiras, que estabelece um conjunto de medidas a aplicar a uma instituição financeira que se encontre numa situação de desequilíbrio financeiro ou em risco de ficar, não cumpra, ou esteja em risco de não cumprir as normas legais ou regulamentares que disciplinem a sua actividade.

A batalha pela recuperação do crédito malparado e aportes dos accionistas

Além do encerramento de agências, eliminação ou alteração de cargos de direcção de topo e corte no número de funcionários, entre as medidas correctivas, enquanto vigorar o Plano, os accionistas estão impedidos de receber dividendos, estando proibida a concessão de novos empréstimos e realização de investimentos significativos; proibição de empréstimos às partes relacionadas (membros do board, directores, accionistas ou empresas dos accionistas); proibição de acesso a determinados mercados e contenção de custos.

Para acompanhar a implementação dessas “medidas correctivas”, o BNA tem estado a realizar inspecções periódicas junto da entidade bancária, “visando reunir a informação necessária para actualizar o plano de resolução e preparar uma eventual resolução da Instituição Financeira Bancária. Os emissários do Banco Central têm focado as inspecções na avaliação permanente dos activos, passivos e elementos extrapatrimoniais do banco.

Além da assistência de liquidez por parte do BNA, e de aportes substanciais de capital por parte dos accionistas, a equipa de Osvaldo Macaia traçou 40 iniciativas com vista a evitar o colapso do banco de importância sistémica, estando a recuperação do elevado Crédito Malparado, estimada em 55,2 mil milhões (US$ 60,51 milhões), a venda de activos não core avaliados, entre as principais prioridades.

De acordo ainda com o Plano, o Banco Sol tem ainda como meta a captação de depósitos na ordem de AOA 108,10 mil milhões (US$ 118,49 mil milhões), e a Optimização do Pessoal cortando AOA 21,30 mil milhões (US$ 23,34 milhões) de custo com as remunerações.

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José Praia Pedro

EDITOR DE EMPRESAS & MERCADOS

No início do verão de 2024 juntei-me à equipa de jornalistas da revista O Telegrama, dividido entre a Editoria de Economia & Oil e a Editoria de Empresas & Mercados. Professor de matemática, fiz licenciatura em Economia na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Tenho a responsabilidade de manter debaixo de olho tudo o que se passa no panorama dos negócios empresariais e, sobretudo, nos mercados financeiros domésticos e internacionais, desde a ‘Bolsa de Luanda’ (BODIVA), de New York Stock Exchange (NYSE) e NASDAQ, passando pela chinesa Shanghai Stock Exchange Euronext; Hong Kong, Saudi Exchange até a Bolsa de Valores de Londres ou, se preferirem, London Stock Exchange.

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