Ao proferir o discurso de abertura, Carla Nogueira, Administradora Executiva do IGAPE, deixou patente que a operação se enquadra no processo de alienação de 34% da participação que o Estado detém no Standard Bank Angola. Deste total, 10% será disponibilizado ao público em geral, enquanto os restantes 24% serão adquiridos pelo accionista Standard Bank Group, no exercício do seu direito de preferência.
Carla Nogueira fez saber, ainda, que os resultados alcançados com as ofertas públicas já realizadas em Angola, impulsionadas pelo PROPRIV, constituem um importante sinal da crescente confiança dos investidores na economia nacional e na capacidade de geração de valor das instituições angolanas.
“De forma acumulada, nas seis operações anteriores registaram-se mais de 25 mil investidores, que movimentaram um montante equivalente a AOA 1,6 biliões (US$ 1,75 mil milhões, valor calculado com base na taxa de câmbio de hoje), representando 2,7 vezes a capitalização bolsista esperada”, afirmou a Administradora.
Estrutura da OPV do Standard Bank Angola
De acordo com Fábio Guedes, PCE da Standard Invest, a Oferta Pública de Venda (OPV) do Standard Bank Angola insere-se no programa de privatizações do Estado angolano (PROPRIV), tendo como oferente o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), que está a alienar as acções em representação do Estado angolano. O Standard Bank Angola é o emitente da operação.
A oferta engloba 4 760 000 acções, correspondentes a 34% do capital social do Standard Bank Angola, divididas em duas tranches: 24% será destinada ao Standard Bank Group, no exercício do seu direito de preferência, enquanto os restantes 10% serão destinados ao público em geral.
O Standard Bank Group detém, actualmente, cerca de 51% do Standard Bank Angola, enquanto o IGAPE, em representação do Estado angolano, detém 49%. Após a oferta, prevê-se que o Standard Bank Group passe a deter 75%, o IGAPE 15% e o público em geral 10%.
Ao abrigo do Despacho Presidencial n.º 317/25, de 6 de Novembro, prevê-se que a participação de 15% do IGAPE passe, posteriormente, para o Fundo Soberano de Angola, sendo que o beneficiário último continuará a ser o Estado angolano, mudando apenas a entidade pública responsável pela gestão da participação.
“É importante notar que, por um lado, o Standard Bank Group não está a vender acções, pelo contrário, está a comprar. Por outro, todas as acções do Standard Bank Angola serão submetidas a negociação, e não apenas as que estão a ser privatizadas neste momento. As acções serão livremente transmissíveis no mercado secundário, em regime de participações qualificadas”, fez saber o PCE da Standard Invest.
A oferta de 10% dirigida ao público em geral, correspondente a 1 400 000 acções, terá o seu preço definido no apuramento dos resultados, após o período da OPV. No entanto, o intervalo indicativo de preço situa-se entre AOA 41,22 mil (US$ 45,16) e AOA 50,00 mil (US$ 54,77).
Desempenho financeiro do Standard Bank Angola

Na sua apresentação, Eduardo Clemente, administrador executivo do Standard Bank Angola, avançou que os dados de 2025 mostram que o banco apresentou um rácio de rentabilidade dos capitais próprios de 44,2% e um rácio de eficiência de 33%, sendo considerado o banco mais eficiente. O rácio de transformação situou-se em cerca de 41%.
A evolução do produto bancário, correspondente à receita bancária, tem sido extraordinária, segundo o Administrador Executivo, crescendo, em média, 45% ao ano. Em sentido contrário, o aumento médio dos custos situou-se em torno de 29%, sendo que mais de 50% destes custos correspondem a despesas com pessoal, reflexo do contínuo investimento no crescimento e desenvolvimento do capital humano.
“Esses números denotam a solidez financeira do Standard Bank, porque, quando se juntam todas as peças, se consegue ver um banco com solidez no balanço e forte capacidade de extrair produtividade e rentabilidade do balanço”, afirmou.
“O Standard tem tentado remunerar, ao máximo, os accionistas sob a forma de dividendos anualmente. Nos últimos três anos, o banco distribuiu 65% dos resultados em dividendos. Mas esse foco na remuneração do accionista não é feito à custa do investimento no banco, e os números partilhados demonstram isso”, finalizou.