A participação das seguradoras e dos Fundos de Pensões nas negociações da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) valem apenas 4,7%, para AOA 271,60 mil milhões (US$ 297,14 milhões), de acordo com os cálculos de O Telegrama com base no resultado da Comissão do Mercado de Capital (CMC). Em termos de instrumentos mais negociados, as acções, obrigações de tesouro não reajustáveis e unidades de participação continuam como os activos mais investidos pelo mercado segurador.
O montante negociado no mercado de capitais por sectores institucionais e não institucionais em 2025 registou uma queda de 5% para AOA 5,7 biliões (US$ 6,27 mil milhões) face aos AOA 6,0 biliões (US$ 6,64 mil milhões) registados em 2024. É a segunda queda consecutiva que a bolsa regista depois de as negociações terem reduzido 21% em 2024.
Apesar de ainda apresentar uma baixa liquidez na Bolsa, o sector segurador quase triplicou a sua quota de mercado, passando de uma participação de 1,7% para 4,7% do volume negociado.
Este crescimento reflecte a entrada de novas opções de obrigações corporativas que, de certa forma, está atrair a atenção dos investidores, principalmente os investidores institucionais que se sentem também atraídos pela diversidade de instrumento, como as obrigações do BAI, e o Papel Comercial, que são instrumentos que acabam por atrair o perfil de investidores como o sector segurador.
Seguradoras precisam de incentivo às políticas de curto prazo
Os operadores de mercado entendem que o sector tem potencial para aumentar a sua participação no mercado segurador. No entanto, para tal, é necessário incentivar mais as políticas de curto prazo, uma vez que as responsabilidades das seguradoras, como a regularização de sinistros, são de curto prazo.
Paulo Bracons, consultor de seguros, defende que o mercado de seguros em Angola é fundamentalmente um mercado não vida, ou seja, de curto prazo (seguros anuais com possibilidade de renovação), onde a gestão da liquidez é o factor determinante.
Para que o mercado de seguros possa ter uma forte presença no mercado de capitais, o especialista entende que será importante uma maior presença ou penetração do ramo vida, em particular com produtos de capitalização/poupança, que trabalham no médio e longo prazos e que são os verdadeiros financiadores da economia.
“Nos mercados mais maduros, o ramo vida chega a representar mais de 50% dos prémios do mercado segurador”, disse o consultor.
Jorge da Conceição, corrector de seguros, acredita ser imperativo fomentar a participação no mercado de capitais, dada a aparente discrepância entre o actual volume de investimento dos fundos de pensões e o seu elevado potencial, uma vez que são, por excelência, investidores institucionais de referência.
Para mostrar a expansão do segmento, os fundos de pensões registaram uma valorização de 28% no último exercício consolidado, atingindo AOA 1,1 biliões (US$ 1,2 mil milhões). Embora os dados de 2025 ainda não estejam disponíveis, a trajectória reafirma a robustez do sector.
