“(…) Os seres humanos, desde que os nossos antepassados inventaram a linguagem, têm sido mais ou menos dominados pela tradição. Para Bertrand Russell está é a principal causa do Progresso e ao mesmo tempo o maior obstáculo das civilizações.”
Já imaginaram, se cada geração tivesse o poder da invenção? Sim! O poder da invenção. Da sua própria linguagem e escrita. Encontraríamos o “Progresso”?
(…) Ouçam, tal como foram criadas: NATCHISOLANGANDJI!!! – A Filosofia é objecto de questionamento e decisão de resposta. Okutepisa!!! – Dividir não é a solução, Angola nação. Okulwisa!!! – Multipliquem as gerações de futuro. Okwetcha Olumapu!!! – É da Moral que as crianças brincam nos nossos quintais. Kesongo!!! – Homem importante se respeita e nos dá respeito. Mesene!!! – A quem devemos seguir. Ondona!!! – A matriarca mulher de mil ofícios. Omopelwa!!! – Se não for símbolo não é digno! Ondombolwilo!!! – Tudo em África significa até o significado. Onduliko!!! – Que nos prepara para o Progresso, (A Cidade do Sol). Ongo-ya-ngo!!! – Quem te prepara para o primeiro passo. Onunde!!! – A matriz, onde o coração se sente à vontade de sorrir.
Ondunguluke!!! – Não te metas nisso, é problema grande. Òvê! Osukungandji!!! – Aquele que vê Deus em tudo e nos salva do amanhã. Filho ou sobrinho do paraíso. Ongandji!!! – O homem que me apaixonei (a paixão, um mal necessário). Otchilinga!!! – Aquilo que fazes quando não tás parado (Tás muito pausado, se movimenta n’tão um pouco). Otchilisokiso!!! – O que nos permite abraçar um forasteiro. E pode ser ele diferente? Deve. Porque é na diferença que se fazem as nações prósperas.
Ovali!!! Otatu!!! Okwãla!!! Otãlo!!! Osesa!! Otchasapalo!!! Todos os dias da semana. E ao longo do ano? Celebramos apenas Tchembanima. E, vamos nos despedindo das palavras e inventando outras…!?! E se, tio Pepetela, esquecermos de criar? – Vocês? Hum… (- riu-se.)
Meus miúdos, impossível!!! Escutem com atenção: Impossível!!! Porquê Tio Pepetela? Porquêêêêê??? ( – pensa antes de falar.) – de elivuku aberto. Oh, meus miúdos! Hum…, não vou dizer que escutem sempre os mais velhos. Meus miúdos, hum…, vocês são a nossa criação. Está no vosso DNA. Esquecerem de criar?!? Ôco! (– ri-se ele, lá dentro, ‘inda um pouco mais, e ri-se até não acabar de dizer tudo; ‘inda fala consigo. E quem não o faz? ) Então, já nascemos com o dom da criação? Hããããããm…!!? Tio Pepetela!!! – Ocóó…, Graças a Deus!! Já viram, que m’entendem rápido.
UPULAVEKE!!! Existem, em Umbundo, dois grandes grupos, olondaka vipongolako e olondaka kavipongolaka. – Isto é uma aula tio Pepetela? Não perguntem muito crianças. Aprendam só, yá!? O tempo urge. E o meu!? – suspira assim um pouco cabisbaixo, mas com um brilho no olhar. – É urgente!!! Continuando… Alumwendaka.
(…) Tio Pepetela, de quantas cores pintaste a Baia Azul? De manhã, a água tem a cor cristalina. É como a pureza da ave a abrir os olhos pela primeira vez. A água vê-se sem esforço. Os crustáceos, as rochas, os caranguejos e peixes, conchas e algas. São pedaços de areia que vão se ajustando entre eles e formando vários romances. E de tarde? -Perguntam. De tarde, o Sol queima o mar. – Oh!! UAAAUUU!! E o fogo?? O que faz com os animais? – Hum, é isto que faz a Baia Azul ser mágica. (- diz.) De um lado o Sol pinta o mar.
No outro um azul profundo desassossegado. E no lado azul, de que cor ficam os animais? – À tarde? Eles, os animais, deixam os seres humanos mergulharem. Escondem-se na areia. Nas algas. Nos porões ou em algumas rochas que foram se formando com o tempo. – UAU! UAU! Fazem-no para podermos nadar à vontade? (Pepetela ri-se.) – Não meus miúdos.
No lado azul, vive uma Sereia. O único momento que tem para olhar o Sol – é de tarde. – Oh! Sereia? Sim, mas são coisas que não vos posso contar. No tempo certo terão todas as respostas meus miúdos. TIO PEPETELA!!! PINTASTE A BAIA AZUL!!!