A inflação nos Estados Unidos tem-se consolidado como um dos principais factores de instabilidade nos mercados financeiros globais, com impactos directos tanto sobre a Bolsa de Nova Iorque (a maior e mais influente do mundo) quanto sobre as decisões de investimento em escala internacional, razão pela qual compreender suas causas e consequências se tornou essencial para investidores, formuladores de políticas públicas e não só, bem como para economias emergentes fortemente ligadas ao mercado norte-americano.
Entre as principais causas da inflação americana destaca-se a política monetária expansionista adoptada ao longo dos últimos anos. A massiva injecção de liquidez na economia, assistida principalmente durante e após a pandemia da COVID-19, aumentou significativamente a base monetária, estimulando o consumo em um ritmo superior à capacidade produtiva, gerando assim um desequilíbrio entre oferta e procura que acabou por pressionar o nível de preços dos bens e serviços.
A disrupção das cadeias globais de abastecimento representa um outro factor relevante para o reforço da inflação estrutural. Pois, os conflitos geopolíticos, as restrições comerciais e as dificuldades logísticas contribuíram assinalavelmente para o aumento dos custos de produção e de transporte, reflectindo-se directamente nos preços finais, somando-se a isso o aumento dos salários (impulsionado por um mercado de trabalho aquecido).
Para conter a escalada dos preços, o Federal Reserve adoptou uma política de elevação agressiva das taxas de juros. Importa assinalar que, não obstante necessária do ponto de vista do controlo inflacionário, essa medida reduz a liquidez disponível nos mercados financeiros, encarece o crédito e diminui a atractividade de activos de risco, como acções. O que, em última instância, resulta num ambiente de maior volatilidade, correcções bruscas e incerteza em relação ao desempenho futuro das empresas cotadas.
Já do lado do investidor, assiste-se a um aumento da complexidade dos riscos. Uma vez que, por um lado, a inflação corrói o valor real dos retornos, ao passo que, por outro lado, os elevados juros aumentam o custo do financiamento e pressionam os lucros corporativos. Sendo que sectores altamente dependentes de crédito, como tecnologia e imobiliário, tendem a ser mais afectados, ampliando o risco de perdas significativas para investidores menos cautelosos.
Além disso, a forte interligação entre os mercados financeiros globais faz com que choques na Bolsa de Nova Iorque se propaguem rápida e facilmente para economia de outras geografias, especialmente as emergentes. A fuga de capitais para activos considerados mais seguros, como é o caso dos títulos do Tesouro norte-americano, é susceptível de gerar uma desvalorização cambial, um aumento do custo da dívida externa e instabilidade macroeconómica em países com menor resiliência macrofinanceira.
Diante desse cenário, a prudência torna-se indispensável. A diversificação de carteiras, a avaliação rigorosa do risco e a atenção às políticas monetárias são estratégias fundamentais para mitigar perdas. Mais do que nunca, investir exige não apenas expectativa de retorno, mas compreensão profunda do contexto macroeconómico.
Conclusivamente, a inflação da economia norte americana não é um fenómeno isolado, mas um factor sistémico com repercussões globais. Seus efeitos sobre a maior bolsa do mundo e concomitantemente sobre os fluxos de investimento reforçam a necessidade de decisões bem fundamentadas, tanto por parte dos investidores quanto por parte dos responsáveis pela condução da política económica.
