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Leão XIV em Luanda: os jovens e os mais pobres não se contentam com o que já existe

Nelson Francisco Sul

18 Abril, 2026 - 21:52

Nelson Francisco Sul

18 Abril, 2026 - 21:52

Leão XIV iniciou, neste sábado (18), a sua visita a Angola, naquela que é a terceira viagem episcopal de um Papa ao país. Na sua primeira declaração, o Papa deixou um recado a classe governante e política: Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza”

Depois dos Camarões, o alto pontífice aterrou no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, e foi recebido pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, que esteve ladeado pela esposa, Ana Dias Lourenço, Primeira-Dama da República.

Logo após a chegada, o Papa Leão XIV reuniu-se no salão protocolar da presidência, numa cerimónia em que estiveram presentes, entre outras individualidades, membros do executivo, autoridades tradicionais, membros do corpo diplomático e líderes partidários.

No seu primeiro pronunciamento, o Papa defendeu a necessidade de se quebrar “a cadeia de interesses”, afirmando que o continente africano deve ultrapassar a conflitualidade e a inimizade.

“Demasiadas vezes, olha-se para as vossas terras mais frequentemente para tirar algo”, disse o Sumo Pontifice, acrescentando ser “necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”.

Considerando África como a “reserva de alegria e da esperança”, Leão XIV lembrou que os jovens e os mais pobres “ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe”.

“Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende se impor como o único possível”.

Dirigindo-se directamente às autoridades políticas e governamentais do país, o líder católico afirmou que “Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza”, disse o Papa, apelando, mais uma vez, em saber gerir os conflitos, “transformando-os em caminhos de ligação”.

OS COMPROMISSOS QUE AGUARDAM O PAPA 

A viagem apostólica tem como lema “Papa Leão XIV: Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”.

Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do actual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.

Amanhã (19.04), está previsto a celebração de uma Missa na localidade do Kilamba, a 30 quilómetros de Luanda, e a recitação do terço no Santuário mariano da Muxima, um dos centros da devoção católica em Angola.

Na segunda-feira, dia 20, o Papa segue até Saurimo, no leste do país, para visitar uma casa de acolhimento de idosos e presidir à Eucaristia, regressando a Luanda ao final da tarde para um encontro com os bispos e os agentes pastorais, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Na terça-feira, dia 21, Leão XIV parte para última etapa da sua viagem apostólica a África, seguindo a Guiné Equatorial, numa deslocação que encerrará no dia 23.

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