Manuel António Tiago Dias aproveitou a divulgação do Banca em Análise 2026, que vai na sua 20ª edição, para reafirmar a estratégia do seu mandato, que passa pela salvaguarda da estabilidade de preços e a preservação da estabilidade do sistema financeiro, enquanto pressupostos essenciais para um crescimento económico sustentável, e a participação activa no onboarding do Kwanza no sistema SADC RTGS5.
O número 1 da principal autoridade monetária em Angola não deixou de mostrar preocupação quanto ao scanner da “Avaliação da Qualidade dos Dados (AQD)”, que detetou fragilidades na precisão, consistência, integridade e confiabilidade dos dados.
De acordo com o governador do Banco Central, em 2025, e no primeiro trimestre de 2026, o sistema bancário manteve-se sólido e observou-se uma consolidação da estabilidade financeira, num contexto macroeconómico marcado pela desaceleração da taxa de inflação, estabilidade cambial e pela gestão prudente da liquidez em moeda nacional e estrangeira.
Numa declaração prestada a Banca em Análise, um estudo elaborado pela Deloitte Angola, e que vai na sua vigésima edição, Manuel Tiago Dias sublinha, ainda, que a nível do plano prudencial, o rácio de Fundos Próprios Regulamentares do sector situou-se em 23,16% no final de 2025, um ligeiro aumento face a 2024 e confortavelmente acima do mínimo regulamentar (8%), evidenciando capitalização adequada para a absorção de choques. A rendibilidade manteve-se em níveis satisfatórios, sustentada principalmente pela margem financeira.
Quanto à qualidade dos activos, esta apresentou uma tendência de melhoria, terminando o ano de 2025 em 15,78% face aos 19,20% do período homólogo, embora permaneça como um vector que requer atenção contínua. Para tal, principal gestor da autoridade monetária de Angola diz que o organismoo “tem reforçado a exigência sobre o reconhecimento atempado de imparidades, a robustez da cobertura do crédito vencido e o tratamento prudente das exposições reestruturadas, em alinhamento com as melhores práticas internacionais”.
O governador do Banco Central falou também sobre a realização do exercício de qualidade de dados, debruçando-se sobre as principais lições aprendidas, ganhos e os desafios que subsistem, na óptica do Regulador, decorrentes da realização do Exercício em 2025.
“O Exercício de Avaliação da Qualidade de Dados (AQD) confirmou fragilidades estruturais na agregação e reporte de dados de risco, com situações de criticidade que exigem correcção. A principal lição é que a qualidade dos dados é um pilar estratégico para a gestão de risco e da supervisão micro e macroprudencial”, afirmou, acrescentando que “os ganhos mais relevantes traduzem-se num diagnóstico partilhado entre o regulador e as instituições financeiras, no compromisso formal dos órgãos de administração e na efectiva mobilização institucional relevante em torno dos referenciais dos princípios BCBS 2393. O desafio central é a execução e implementação das recomendações que levará a investimentos em arquitectura de dados, controlo interno e cultura organizacional”.
Sobre as principais prioridades estratégicas do BNA para os próximos anos, e como se articulam com o papel da banca no desenvolvimento sustentável e na diversificação da economia angolana, Manuel Tiago Dias respondeu que as prioridades estratégicas “mantêm-se firmemente alinhadas com o cumprimento do seu mandato, nomeadamente, a salvaguarda da estabilidade de preços e a preservação da estabilidade do sistema financeiro, enquanto pressupostos essenciais para um crescimento económico sustentável”.
Para o ciclo estratégico de 2026, o Banco Nacional de Angola definiu um conjunto de prioridades que se estruturam em quatro eixos fundamentais, nomeadamente a consolidação da estabilidade macroeconómica e financeira, o aprofundamento da inclusão financeira, no âmbito da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF), o financiamento da diversificação económica, assente no aperfeiçoamento contínuo do quadro regulatório e, finalmente, o reforço da supervisão baseada no risco e a incorporação progressiva de princípios e padrões ESG4 no sistema financeiro.
A expansão da digitalização e soluções tecnológicas avançadas, como o uso da Inteligência Artificial, tanto na óptica institucional como na sua actuação enquanto regulador, podendo assegurar a participação activa no onboarding do Kwanza no sistema SADC RTGS5, promovendo a integração regional, o uso da moeda nacional no comércio transfronteiriço e a redução do risco cambial, mantém-se como foco em 2026.
“Esta integração representa um passo decisivo para permitir que os exportadores angolanos realizem operações regionais em moeda nacional, reforçando a soberania monetária e apoiando a diversificação das exportações no espaço da África Austral”, disse Tiago Dias.
