Para José Barata, ao situar-se acima de 23%, o rácio de fundos próprios regulamentares da banca revela solidez e estabilidade do sector bancário. “Em 2025, o sector registou uma evolução positiva em vários indicadores, com o produto bancário a crescer cerca de 20,8%, suportado pela dinâmica da margem financeira e pelo desempenho dos resultados cambiais, que cresceram aproximadamente 29,4%”, afirmou José Barata, citando o estudo.
Em paralelo, segundo ainda estudo, a melhoria da eficiência operacional, traduzida numa redução do cost-to-income em cerca de 3 pontos percentuais, contribuiu para o reforço dos níveis de rentabilidade do sector. Simultaneamente, o sector continuou a evidenciar níveis confortáveis de solvabilidade, com o rácio de fundos próprios regulamentares a situar‑se acima de 23%, revelando a solidez e estabilidade do sector.
O sector bancário, ao demonstrar resiliência, emergiu mais sólido e mais alinhado com as melhores práticas internacionais. “Nestas vinte edições, o sistema bancário angolano percorreu um caminho exigente, enfrentou ciclos económicos distintos, crises internacionais, reformas regulatórias profundas, processos de reestruturação e recapitalização, bem como uma crescente exigência em matéria de governação, transparência e gestão de risco. O sector emergiu mais sólido, mais resiliente e mais alinhado com as melhores práticas internacionais. Os desenvolvimentos mais recentes confirmam essa trajectória”, disse Barata.
Um dos principais motores desta transformação
Entre as principais conclusões da vigésima, destaca-se a forte expansão dos meios electrónicos de pagamento. Em 2025, o número total de transacções efectudas, através dos diversos canais electrónicos, cresceu cerca de 50% em termos homólogos, confirmando a crescente adesão dos angolanos aos serviços financeiros digitais.
O multicaixa express, com crescimento expressivo na ordem dos 82,4% para AOA 2,14 mil milhões (US$ 2,35 milhões), manteve-se como um dos principais motores desta transformação, enquanto o sistema KWIK registou um crescimento exponencial de 1 117% saindo de AOA 71, 52 milhões (US$ 78,42 mil) em 2024 para AOA 590,36 milhões (US$ 647,12 mil) em 2025, reflectindo a rápida adopção das transferências instantâneas.
O estudo da Deloitte reforça também a evolução recente da actividade de crédito e captação de recursos. O crédito concedido a clientes cresceu mais de 23% em 2025, acompanhado por um aumento do rácio de transformação para mais de 36%, evidenciando uma maior propensão para o financiamento da economia.
Peso total dos activos no PIB
Em paralelo, os depósitos de clientes registaram um crescimento de cerca de 9%, sinalizando uma maior capacidade de captação de recursos por parte do sector bancário. Apesar da evolução dos activos em 11,5%, Angola contínua a apresentar um peso de 22% do total dos activos do sector bancário no PIB, inferior aos observados em mercados comparáveis como Nigéria, África do Sul e Portugal, o que demonstra um desafio a superar no sector, embora o lucro líquido da banca nacional tenha apresentado evolução de 23%.
Além disso, verifica-se uma transformação estrutural dos canais de distribuição bancária. O número de balcões continua a diminuir, enquanto os agentes bancários e os agentes de pagamento registaram um crescimento expressivo, contribuindo para uma maior proximidade dos serviços financeiros junto das populações.
A edição de 2026 assumiu, igualmente, os desafios associados à necessidade de aumento da inclusão financeira com a taxa de bancarização e da maior formalização da economia para servir de alavanca para a maior diversificação da economia.
No encerramento do evento, o vice-governador do Banco Nacional de Angola, Domingos Pedro, sublinhou que “as estatísticas apuradas” pelo Banco Central “mostram um sector que, em 2025, continuou a revelar sinais claros de evolução”, com “os lucros, o volume de negócios cresceu sustentado pelo aumento dos depósitos, o que permitiu reforçar o peso de crédito na economia na estrutura de activos”.
