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Banco Mundial alerta que “crescimento económico continua insuficiente” para Angola

Bernardo Bunga

24 Julho, 2026 - 09:45

Bernardo Bunga

24 Julho, 2026 - 09:45

O crescimento da economia angolana continua sem produzir melhorias nas condições de vida da população, apesar da recuperação da actividade não petrolífera e da desaceleração da inflação. A conclusão consta do relatório "De Trânsito à Transformação - O Corredor do Lobito como Motor de Diversificação Económica e Integração Regional", apresentado, nesta terça-feira, 21 de Julho, pelo Banco Mundial, em Luanda

O relatório do Banco Mundial adverte que o crescimento económico de Angola continua insuficiente para melhorar as condições de vida da população, salientando que o actual desempenho económico não tem sido suficiente para reverter o declínio contínuo do nível de vida médio dos angolanos.

Embora Angola tenha registado uma recuperação económica após 2024, impulsionada, sobretudo, pelos sectores não petrolíferos, a contínua redução da produção petrolífera continua a limitar o crescimento global da economia, diz a instituição de Bretton Woods.

Como resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita acumulou uma queda de cerca de 20% nos últimos 15 anos, mantendo-se, praticamente, ao mesmo nível registado em 2005, um sinal claro de que o crescimento económico não tem acompanhado o aumento da população nem gerado ganhos expressivos de rendimento para as famílias.

O relatório sublinha que as difíceis condições económicas continuam a afectar directamente a vida da população, contribuindo para o acesso limitado a serviços básicos e para o agravamento das desigualdades sociais. De acordo com os dados apresentados, apenas 56% dos agregados familiares têm acesso à água potável melhorada e menos de metade da população dispõe de acesso à electricidade, sendo a situação mais crítica nas zonas rurais.

Na educação, quase quatro em cada dez jovens, entre os 15 e os 18 anos, permanecem fora do sistema de ensino e, nas zonas rurais, menos de metade dos adultos sabe ler e escrever. Já no sector da saúde, embora se tenham registado progressos na redução das taxas de mortalidade materna e infantil, o acesso aos cuidados de saúde continua limitado para uma parte significativa da população. “O acesso aos cuidados de saúde é, igualmente, limitado, com apenas 30 médicos por cada 10 mil pessoas”, destaca o documento.

Emprego cresce, mas informalidade continua dominante

No mercado de trabalho, a instituição de Bretton Woods reconhece uma melhoria moderada, com mais pessoas a conseguirem emprego e uma redução da taxa de desemprego. Contudo, salienta que a maior parte dos novos postos de trabalho continua a ser gerada no sector informal, sobretudo em actividades de baixa produtividade, como a agricultura de subsistência e o comércio informal.

“De cerca de 700 mil empregos criados anualmente entre 2022 e 2024, cerca de oito em cada dez foram informais. Como resultado, os trabalhadores produzem menos, em média, do que produziam há uma década, porque a maioria está limitada a actividades de baixa produtividade”, lê-se no documento.

O relatório sugere ainda que “isto reflecte um problema estrutural mais profundo: a economia de Angola está dividida entre um sector petrolífero altamente lucrativo, que gera pouco emprego, e um grande sector informal que absorve a maioria dos trabalhadores, mas oferece poucas oportunidades de progressão”.

O relatório refere, igualmente, que as necessidades globais de endividamento do Governo permaneceram elevadas, devido aos significativos pagamentos da dívida pública e à necessidade de financiar o défice fiscal, situação que continua a reduzir a margem orçamental para investimentos em áreas prioritárias do desenvolvimento económico e social.

Perspectivas económicas e Corredor do Lobito

Quanto às perspectivas económicas, o Banco Mundial considera que os riscos permanecem significativos, destacando o aumento das tensões geopolíticas, a volatilidade da taxa de câmbio e dos preços internacionais do petróleo, condições financeiras globais mais restritivas e eventuais atrasos na implementação das reformas estruturais.

Ainda assim, a instituição prevê que o crescimento económico se mantenha moderado, fixando uma expansão de 2,4% em 2026, sustentada, principalmente, pelo desempenho das actividades não petrolíferas, numa altura em que a produção petrolífera deverá continuar a diminuir.

O documento realça ainda que o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027 posiciona o Corredor do Lobito como um corredor económico estratégico capaz de apoiar a diversificação da economia angolana e reforçar a integração regional.

Segundo a instituição, com sede em Washington, D.C., Estados Unidos, o projecto poderá redefinir o papel de Angola como um importante centro logístico regional, promovendo o comércio, o desenvolvimento de cadeias de valor e novas oportunidades de investimento, contribuindo para reduzir a dependência do sector petrolífero e impulsionar um crescimento económico mais diversificado.

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