Finanças & Wall Street

KPMG alerta para desfasamento entre transformação empresarial e desempenho

Alice da Silva

16 Setembro, 2026 - 09:22

Alice da Silva

16 Setembro, 2026 - 09:22

O estudo global da KPMG sobre transformação empresarial revela que as empresas gerem, em média, 3,5 programas de transformação em simultâneo. Contudo, o aumento do número de processos ainda não se traduz num impacto proporcional no desempenho. Apenas 14% das organizações consideram estar entre as que apresentam melhor desempenho face aos seus pares, enquanto menos de um terço afirma conseguir obter resultados relevantes em toda a empresa

O estudo da KPMG, empresa integrante do grupo das Big Four, realizado junto de 1.750 CEOs e responsáveis pelos processos de transformação empresarial, em 20 países de diferentes geografias, mostra que cada organização gere, em média, 3,5 programas de transformação em simultâneo.

Para Carlos Borges, Head of Advisory da KPMG Angola, a transformação empresarial mede-se também pela capacidade de articular e converter em resultados concretos as iniciativas e os projectos de transformação. Quando não existe uma execução planeada e coordenada, a fragmentação pode gerar ineficiências, custos adicionais e atrasos na adaptação. A inteligência artificial reforça esta exigência, pois o seu valor pode depender da conjugação entre dados de qualidade, modelos operacionais, competências e confiança. As organizações que conseguirem integrar estes elementos poderão estar melhor posicionadas para transformar o investimento em impacto efectivo para o negócio e destacar-se da concorrência.

Segundo o estudo, a transformação digital é a iniciativa mais frequente e está actualmente em curso em 70% das organizações. Seguem-se a transformação funcional, desenvolvida por 47%, e a transformação da gestão do risco, referida por 32% dos inquiridos.

A KPMG aponta três prioridades para melhorar a execução da transformação empresarial nas organizações: (i) reforçar as bases de tecnologia, os dados, a confiança e o governance; (ii) redesenhar o trabalho e os modelos operacionais para integrar as pessoas, a inteligência artificial e a automação; e (iii) repensar a empresa como um sistema interligado e em permanente evolução.

Inteligência artificial gera ganhos, mas o impacto continua limitado

A inteligência artificial já é utilizada em várias áreas das empresas, desde a análise de dados e a automatização de processos até ao apoio à tomada de decisão, ao desenvolvimento de produtos e à gestão do risco. Contudo, na maioria dos casos, os benefícios continuam limitados a melhorias operacionais ou a funções específicas.

Embora 48% das organizações registem ganhos incrementais de produtividade associados à inteligência artificial, apenas 11% reportam um impacto substancial em toda a organização. Os resultados mostram que a adopção tecnológica está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das empresas para adaptar os seus modelos operacionais, integrar dados e redesenhar a forma como o trabalho é realizado.

O estudo indica que 39% das organizações referem que a produtividade continua a ser o principal indicador utilizado para avaliar o valor gerado pela inteligência artificial. Seguem-se a redução do tempo dedicado a tarefas através da automatização, com 36%, e a diminuição dos custos operacionais, com 33%.

O estudo da KPMG aponta que a adopção da tecnologia é mais elevada nas áreas de Tecnologia e Sistemas de Informação, onde chega aos 59%, seguida de Marketing e Vendas, com 43%, e Operações, com 42%. Nas áreas de Risco e Compliance, Finanças e Recursos Humanos, a utilização situa-se, respectivamente, nos 37%, 33% e 31%.

Apesar da disseminação destas ferramentas, apenas 19% das organizações consideram que os seus colaboradores estão altamente preparados para trabalhar com inteligência artificial. Cerca de 49% consideram os seus colaboradores moderadamente preparados, enquanto as restantes organizações reconhecem níveis reduzidos ou ainda insuficientes de preparação.

Apenas 24% das empresas integram proactivamente os riscos da IA na estratégia

O governance e a confiança surgem no estudo como condições essenciais para ampliar a adopção da inteligência artificial e garantir que a tecnologia seja utilizada de forma segura, responsável e alinhada com os objectivos da organização.

No entanto, apenas 24% das organizações integram proactivamente a gestão dos riscos da inteligência artificial na estratégia e ao longo do ciclo de vida da tecnologia. Cerca de 41% dispõem de modelos definidos e coordenados, embora ainda não estejam totalmente integrados, enquanto 25% mantêm uma resposta reactiva e organizada por áreas isoladas. Em 10% dos casos, a gestão do risco permanece descentralizada, cabendo a cada equipa ou função gerir autonomamente as suas iniciativas.

O estudo revela ainda que 57% das organizações já encaram a confiança como um diferenciador estratégico ou uma fonte central de vantagem competitiva. Contudo, apenas 28% relacionam directamente os mecanismos de confiança, governance e gestão do risco da inteligência artificial com resultados operacionais ou financeiros concretos.

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