Segundo a organização de Bretton Woods, criada em 1944, a recuperação da região que corresponde à parte do continente africano situada ao Sul do Deserto do Saara permanece exposta à pressão inflacionista, ao aumento dos custos de financiamento e à incerteza internacional, numa conjuntura em que os encargos com juros absorvem cerca de 12% das receitas públicas da região e a redução da ajuda externa limita a capacidade de resposta dos governos.
As projecções do FMI apontam para uma trajectória de crescimento heterogénea entre os países, com diferenças significativas no desempenho das economias exportadoras de matérias-primas, das importadoras de recursos e das mais vulneráveis aos choques externos.
Os dados mostram que o FMI reviu em alta a estimativa de crescimento da África Subsaariana para este ano, de 4,3% projectados em Abril para 4,5%. A revisão reflecte uma evolução económica mais favorável do que a anteriormente prevista. Apesar da melhoria das perspectivas de crescimento, o Fundo alerta que a resiliência da região não elimina as fragilidades acumuladas, sobretudo nos domínios fiscal, monetário e externo.
A trajectória projectada para 2027 demonstra que o desempenho regional continuará a depender das condições específicas de cada economia. As estimativas apresentadas nos dados de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) mostram que a África Subsaariana deverá crescer 4,5% tanto em 2026 como em 2027, mas esta média esconde ritmos de expansão bastante distintos, desde economias com crescimento próximo de 1% até países que poderão registar taxas superiores a 7%.
Entre as economias com perspectivas mais robustas destacam-se a Etiópia, cuja expansão deverá atingir 9,2% em 2026, antes de abrandar para 7,8% em 2027, e o Uganda, para o qual o FMI projecta um crescimento de 6,2% este ano e uma aceleração para 9,9% no próximo. A Guiné deverá registar taxas de 7,2% em 2026 e 7,8% em 2027, enquanto a Tanzânia deverá manter um crescimento próximo de 6%, com projecções de 6,0% e 5,9%, respectivamente.
A evolução destes países contrasta com a de economias que deverão apresentar um desempenho mais moderado. A África do Sul, maior economia industrializada da região, deverá crescer 1% em 2026 e 1,3% em 2027. O Lesoto deverá registar uma expansão de 1,1% este ano, seguida de 0,8% em 2027, enquanto São Tomé e Príncipe deverá crescer apenas 0,4% em 2026, recuperando para 1,9% no ano seguinte.
Portanto, o quadro demonstra que a manutenção de um crescimento regional de 4,5% não significa uma aceleração generalizada da actividade económica nem uma convergência entre os níveis de desenvolvimento dos países.
Angola deverá crescer 4,4% em 2026 e 3,3% em 2027
No caso de Angola, a instituição de Bretton Woods estima um crescimento real do PIB de 4,4% em 2026, uma melhoria de 1 ponto percentual face à previsão da actualização anterior, publicada a 16 de Abril do corrente ano. Depois de ter crescido 3,1% em 2025, a economia angolana deverá, contudo, registar um abrandamento em 2027, com a expansão do PIB a desacelerar para 3,3%, menos 1,1 ponto percentual do que a taxa projectada para 2026.
Os dados do FMI sobre a dívida pública em percentagem do PIB, Angola apresenta uma projecção de 34,7% para 2026, após uma estimativa idêntica para 2025. Para 2027, o rácio deverá aumentar para 36,1%. A variação projectada corresponde a uma subida de 1,4 pontos percentuais num ano, embora a interpretação da sustentabilidade da dívida exija igualmente a análise dos custos do serviço da dívida, da composição dos passivos, das necessidades de financiamento e da capacidade de geração de receitas públicas.
Inflação e encargos financeiros pressionam as economias
Um dos principais factores de preocupação identificados na actualização do FMI é a deterioração das perspectivas de inflação. A inflação mediana da região, que se situou em 3,4% em 2025, deverá subir para 4,3% em 2026 e atingir 5,0% em 2027. A trajectória representa uma inversão face às expectativas de Abril, quando o Fundo antecipava uma subida da inflação para 5% em 2026, seguida de uma moderação das pressões sobre os preços.
A pressão sobre os preços está associada, entre outros factores, à instabilidade internacional e às perturbações nos mercados de matérias-primas. O aumento dos custos dos combustíveis e dos fertilizantes pode repercutir-se nos transportes, na produção agrícola e na distribuição de bens essenciais.
A pressão sobre as finanças públicas constitui outro dos principais riscos. De acordo com a actualização do FMI, os pagamentos de juros absorvem cerca de 12% das receitas governamentais na região. O indicador evidencia a dimensão dos recursos públicos que deixam de estar disponíveis para outras finalidades, como infra-estruturas, saúde, educação e protecção social.