Finanças & Wall Street

Rui Minguês: o crédito ao sector privado continua num patamar relativamente baixo

Alice da Silva

2 Novembro, 2026 - 23:36

Alice da Silva

2 Novembro, 2026 - 23:36

"O Crédito ao sector privado continua num patamar relativamente baixo, entre 7% e 10% do PIB. Quando comparamos essa realidade com o resto da África subsaariana, o desafio torna-se evidente”

As declarações do ministro do Comércio e Indústria foram feitas durante a 4ª edição do Fin Summit 2026. De acordo com Rui Minguês de Oliveira, “a média do crédito bancário ao sector privado na África subsaariana situa-se entre os 20% e os 25% do PIB”, afirmou, salientando que, nas economias africanas com mercados financeiros mais desenvolvidos essa proporção ultrapassa confortavelmente os 50% a 70% do PIB”.

Para o governante, esse diferencial resume com clareza o tamanho do défice que Angola tem que cobrir se quiser sustentar taxas de crescimento económico superiores a 6% ou 8% ao ano, indispensáveis para absorver o crescimento populacional e a vitalidade empreendedora da nossa juventude.

A economia angolana “é hoje considerada a sexta maior economia de África. Se fizermos uma busca, entre os vinte maiores bancos de África, não existe um banco angolano. Temos que pensar claramente que há aqui um desajuste entre o tamanho da nossa economia e o tamanho do nosso sistema bancário”, vincou.

Entretanto, segundo Minguês, Angola ganha vantagem em relação ao retorno sobre os activos. “O retorno sobre os activos  nos principais bancos de África anda em volta de 1,5% a 2%. A nossa realidade é que a média do retorno dos activos do nosso sistema anda entre os 3 e os 6%. Quase o triplo dos sistemas bancários do resto do continente”.

Mas o Ministro do Comércio e da Indústria ressalva, porém, que a banca não pode ficar com o ônus da responsabilidade de financiamento da nossa economia.

“A banca é, obviamente, um pliar essencial, estrutural, mas nós precisamos de ir para lá do crédito bancário quando falamos e procuramos vias para financiar a nossa economia. A natureza de depósitos de curto prazo colide com a necessidade de empréstimos agrícolas, industriais e outros que normalmente exigem maturidades superiores a 5, 10, 15 anos”, explicou o Ministro.

Rui Minguês disse ainda ser “imperioso abrir o leque dos instrumentos de financiamento e aqui um papel importante cabe ao mercado de capitais. O fortalecimento do mercado de capitais e da Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (BODIVA), em particular, é uma necessidade inadiável. Precisamos de ver mais médias e grandes a emitir papel comercial, e obrigações corporativas de longo prazo, atrair fundos de pensões, investidores institucionais e pequenos aforradores”.

O papel do Estado desdobra-se em quatro eixos fundamentais que passam por criar mecanismos de garantia de crédito; prover procura e liquidez; criar política fiscal amiga da produção nacional e garantir segurança jurídica e sistema de justiça.

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