Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito Presidente do Brasil no domingo, 25 de Outubro, ao conquistar 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL). Segundo os resultados anunciados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64 256 232 votos, enquanto o adversário obteve 59 826 041, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
O resultado garante a Lula um novo mandato à frente do Palácio do Planalto, com início previsto para 5 de Janeiro de 2027, e abre um novo ciclo de governação marcado por avanços no mercado de trabalho, mas também pela desaceleração do crescimento económico e pela persistência das pressões inflacionistas.
A reeleição de Lula ocorre após três anos (2023-2025) de crescimento económico, melhoria dos indicadores do mercado de trabalho e expansão das exportações. Contudo, o desempenho da economia não foi uniforme. O Produto Interno Bruto (PIB) abrandou em 2025, depois de crescer 3,4% em 2024, enquanto a inflação permaneceu acima de 4%.
Os indicadores económicos do período de 2023 a 2026 permitem traçar um balanço da governação de Lula da Silva, com base na evolução do PIB, do emprego, da inflação e do comércio externo. Os dados mostram o comportamento da economia brasileira ao longo do mandato que termina a 31 de Dezembro do corrente ano, sem estabelecer, por si só, uma relação directa entre o desempenho económico e o resultado eleitoral de domingo.
PIB abranda após dois anos de crescimento mais forte
A economia brasileira cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, antes de desacelerar para 2,3% em 2025, segundo o IBGE. No ano passado, o PIB atingiu 12,70 biliões de reais (US$ 2,28 biliões), enquanto o PIB per capita chegou a 59 687,49 reais (US$ 10 716), registando um crescimento real de 1,9%.
A expansão económica de 2025 foi sustentada sobretudo pela agropecuária, cujo valor acrescentado aumentou 11,7%. Os serviços cresceram 1,8%, enquanto a indústria avançou 1,4%.
No consumo das famílias, verificou-se uma perda de dinamismo, com o crescimento a desacelerar para 1,3% em 2025, face aos 5,1% registados em 2024. O investimento, medido pela formação bruta de capital fixo, aumentou 2,9%, mas o seu peso no PIB recuou de 16,9% para 16,8%.
Emprego regista o melhor resultado da série histórica
No mercado de trabalho, os indicadores apresentaram uma evolução positiva. A taxa anual de desocupação caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, atingindo o nível mais baixo da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE desde 2012.
A população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, o valor mais elevado da série histórica e um aumento de 1,7% face ao ano anterior. Por sua vez, o número de pessoas desocupadas recuou para 6,2 milhões.
O emprego formal também cresceu. O número de trabalhadores do sector privado com carteira de trabalho assinada aumentou 2,8%, para 38,9 milhões, enquanto o rendimento real habitual subiu 5,7%, para 3 560 reais mensais (US$ 715). A taxa de informalidade diminuiu de 39,0% para 38,1%.
Inflação permanece entre os principais desafios
A evolução dos preços apresentou oscilações ao longo do mandato. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registou uma inflação de 4,62% em 2023, acelerou para 4,83% em 2024 e desacelerou para 4,26% em 2025, segundo o IBGE.
No comércio externo, o Brasil registou exportações recorde em 2025, embora o excedente comercial tenha diminuído face aos dois anos anteriores.
Em 2023, as exportações totalizaram US$ 339,7 mil milhões, enquanto as importações ascenderam a US$ 240,8 mil milhões, gerando um excedente comercial de US$ 98,9 mil milhões.
Em 2024, as exportações recuaram para US$ 337,0 mil milhões, enquanto as importações aumentaram para US$ 262,9 mil milhões. Consequentemente, o excedente comercial diminuiu para US$ 74,2 mil milhões.
Já em 2025, as vendas externas cresceram para US$ 348,3 mil milhões, mas as importações também aumentaram, atingindo US$ 280,2 mil milhões. O saldo comercial diminuiu, assim, para US$ 68,1 mil milhões, apesar de a corrente de comércio ter alcançado US$ 628,5 mil milhões.
Nos primeiros nove meses de 2026, o excedente comercial recuperou para US$ 62,4 mil milhões, um aumento de 34,8% face ao período homólogo de 2025. As exportações atingiram US$ 284,7 mil milhões, enquanto as importações totalizaram US$ 222,3 mil milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.