Finanças & Wall Street

Lucros históricos do Access Bank Angola dos últimos 15 anos

Adnardo Barros

26 Julho, 2024 - 18:59

Adnardo Barros

26 Julho, 2024 - 18:59

Um resultado recorde nunca antes observado desde 2009. A margem financeira disparou com a aposta em bancos centrais e organismos de investimento colectivo, além do aumento das prestações dos empréstimos e uma ligeira contribuição da riqueza do banco proveniente dos accionistas. A mudança na estrutura societária e a nova cultura corporativa revelam um banco não sistémico em franco crescimento

O Access Bank Angola, sucedâneo do Finibanco Angola, obteve, no II trimestre de 2024, um lucro de 3,92 mil milhões de kwanzas, cerca de US$ 4,6 milhões, ao câmbio do último dia de Junho. Este número representa um crescimento de 266%, se comparado com o mesmo período de 2023 quando o banco, cujo CEO é Rui Martins Pereira, reportou mil milhões de kwanzas (US$ 1,3 milhões) em lucro.

As demonstrações financeiras preliminares do banco de origem nigeriana, divulgadas na manhã desta sexta-feira (26), revelam, também, um crescimento de 177% do resultado líquido em comparação com os primeiros três meses do ano, cujo resultado esteve fixado em 1,4 mil milhões de kwanzas (US$ 1,6 milhões).

Analisados os balancetes dos últimos 15 anos, disponíveis no website do banco, O Telegrama observou que este é o maior resultado alcançado em termos homólogos, ultrapassando o lucro de 3,6 mil milhões de kwanzas (US$ 14 milhões – ao câmbio daquele período), obtido em 2018, tendo sido a maior margem financeira que o então Finibanco alcançara nos últimos 10 anos.

Entretanto, se em termos de lucro a entidade financeira escreveu um crescimento histórico, o mesmo não se pode dizer dos activos, que contabilizaram um ligeiro incremento de 4 mil milhões de kwanzas (US$ 4,6 milhões), saindo de 164,9 mil milhões (US$ 193 milhões) no primeiro trimestre para 169 mil milhões de kwanzas (197 milhões de dólares) no segundo trimestre.

Um incremento impulsionado pelo investimento feito em Bancos Centrais e Organismos de Investimento Colectivo (OIC)”, que captou um retorno positivo de 41%, ao sair de 37 mil milhões (44 milhões de dólares) para 52 mil milhões de kwanzas (62 milhões de dólares), numa comparação com os primeiros três meses do ano.

O banco concedeu também mais crédito a clientes. A carteira de crédito cresceu 7% para 26 mil milhões de kwanzas (30 milhões de dólares) face aos 24 mil milhões de kwanzas (US$ 28 milhões de dólares) de Janeiro a Março de 2024.

Os fundos próprios, que configuram o financiamento dos accionistas postos à disposição do banco, cresceram 5% no segundo trimestre comparativamente aos do I trimestre, saindo de 38 mil milhões de kwanzas (US$ 44 milhões) para 40 mil milhões de kwanzas (US$ 46 milhões de dólares), um dado revelador da evolução do banco que passou a operar no mercado financeiro angolano desde 2023.

EVOLUÇÃO DOS LUCROS EM 15 ANOS

A entrada do Access Bank Plc na estrurura accionista do ex-Finibanco, agora Access Bank Angola, foi concretizada em Julho de 2023, tendo, nesta altura, detido 51% do capital social que adquiriu ao Montepio Holding. Só no final do ano passou a deter 99,80% das acções, sendo que os restantes 0,20% é detido pelos herdeiros do finado Dumilde das Chagas Simões Rangel. Isto significa que, no II trimestre de 2023, o Banco ainda não tinha passado para as mãos dos novos donos, ou seja, olhando para os resultados actuais, a entidade financeira obteve um lucro nunca antes alcançado pelos anteriores donos em períodos homólogos.

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