CPLP +

Em momento inédito nos EUA, Trump é imputado de 34 delitos

04-04-2023 11:22

César Avó

Jornalista DN

04-04-2023 11:22

César Avó

Jornalista DN

Acusação gira à volta da falsificação de registos comerciais para ocultar informação negativa na campanha presidencial. Ex-presidente regressa à sala de audiências em dezembro

Centenas de pessoas pró e contra Donald Trump, outros tantos elementos das forças de segurança e uma multidão de profissionais da comunicação social esperavam em frente ao edifício do tribunal de Manhattan, mas o circo montado em redor ficou à porta da sala de audiências.

Poupado às algemas e a um mínimo de imagens no interior das instalações, o anterior presidente dos Estados Unidos apresentou-se no gabinete do procurador distrital, onde terá sido identificado. Dirigiu-se depois para o tribunal, onde ouviu o juiz Juan Merchan indiciá-lo de 34 delitos, todos sobre a falsificação de registos da sua empresa e relacionados com o pagamento do silêncio de Stormy Daniels, que ia contar sobre o seu caso durante a campanha eleitoral de 2016. Trump declarou-se inocente.

Ladeado de quatro advogados, Donald Trump ouviu o procurador Chris Connolly apresentar o caso. Este explicou que o então candidato presidencial violou o decreto-lei 175.10 do estado de Nova Iorque. E fê-lo com o intuito de minar a integridade das eleições, tendo dissimulado pagamentos falsos em violação das leis eleitorais e atuou com outros para suprimir informações prejudiciais.

Sem designar Michael Cohen – o então advogado pessoal e facilitador de Trump – Connolly disse que um advogado fez um pagamento de 130 mil dólares com o objetivo de evitar a atenção negativa resultante de um alegado caso com a mulher conhecida como Stormy Daniels nos filmes para adultos, e que Trump reembolsou depois Cohen em pagamentos mensais após o facto. Segundo o procurador, Trump ocultou esses pagamentos e o mesmo fez nas declarações fiscais.

Num documento de 13 páginas separado das acusações, é descrito que Trump “orquestrou” um “esquema ilegal” ao “identificar e comprar informação negativa” e para seu benefício nas eleições.

O juiz, que não aplicou qualquer medida para restringir as declarações públicas de Donald Trump, respondeu de forma positiva ao procurador Connolly, que pediu para este se pronunciar sobre os comentários do ex-presidente, quando este ameaçou com “morte e destruição” ou publicou uma imagem sua com um taco de basebol junto de uma fotografia do procurador Alvin Bragg. “Por favor, abstenha-se de fazer declarações que possam incitar à violência ou agitação civil, de fazer comentários que tenham potencial para incitar à violência, criar agitação civil ou pôr em risco o estado ou o bem-estar de quaisquer indivíduos”, disse Merchan. Pediu também a Trump que não se envolvesse em retórica que “comprometesse o Estado de direito”.

À saída do tribunal, um dos advogados de Trump, Todd Blanche, disse que o seu cliente estava “frustrado” e voltou a acusar o procurador de “perseguição política”.

Para Biden, o caso “não é prioridade”

Joe Biden, que se recusou nos dias anteriores a comentar as notícias sobre o facto de o seu antecessor vir a ser acusado criminalmente, não tinha como prioridade seguir os acontecimentos em Manhattan, disse a Casa Branca.

“Obviamente que ele vai saber parte das notícias quando tiver um momento para ficar a par das notícias do dia, mas isso não é uma prioridade”, disse a porta-voz da Casa Branca Karine Jean-Pierre sobre o processo movido a Donald Trump. Uma reunião com conselheiros sobre a tecnologia de inteligência artificial foi o único evento público na agenda do presidente dos EUA.

No caso dos documentos secretos encontrados na casa de Trump, Biden chamou-o de “totalmente irresponsável”.

[email protected]

Partilhar nas Redes Sociais

WhatsApp
Facebook
Twitter
Email

Exclusivos