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Fidelidade Angola regressa aos lucros após resultado negativo em 2024

Alexandre Lourenço

27 Maio, 2026 - 11:17

Alexandre Lourenço

27 Maio, 2026 - 11:17

Os prémios brutos emitidos em 2025 pela Fidelidade Seguros Angola registaram uma redução de 1,7% para AOA 52,42 mil milhões (US$ 57,48 milhões) face aos AOA 53,31 mil milhões (US$ 58,45 milhões) obtidos no exercício económico transacto. Apesar da redução no valor total pago pelos clientes para a cobertura dos seguros, a empresa registou um desempenho financeiro positivo ao reportar um lucro de AOA 1,40 mil milhões (US$ 1,54 milhões) ante o resultado negativo de AOA 1,47 mil milhões (US$ 1,61 milhões) em 2024

Este recuo dos prémios da companhia de seguros foi impulsonado pela queda de 3,0% nos ramos Não Vida, nomeadamente no segmento automóvel (-6,9%), patrimonias (-6,9%) e no conjunto de acidentes, doenças e viagem (-3,6%). Apesar desta quebra global ser parcialmente mitigada por um crescimento de 25,7% para AOA 3,13 mil milhões (US$ 3,43 milhões) no ramo vida, alavancado pelo forte desempenho do canal bancassurance.

Os segmentos de transportes (46,8%), petroquímica (20,4%) e responsabilidade Civil Geral (3,6) foram os que apresentaram os melhores desempenhos dentro da companhia de seguros.

Quanto à quota de mercado, a Fidelidade Angola encontra-se no 4.º lugar do ranking do mercado com uma quota de 9% face aos 11% registado em 2024, perdendo assim 2 pontos percentuais. Num mercado onde as cinco maiores companhias apresentam uma quota global acima dos 70%.

Indemnizações pagas a empresas e famílias

Relativamente aos custos com sinistros, a seguradora registou um aumento expressivo de 29,6% nos encargos globais com indemnizações, totalizando AOA 30,54 mil milhões (US$ 33,49 milhões) face aos AOA 23,57 mil milhões (US$ 25,84 milhões) registados em 2024.

Este crescimento foi impulsionado pela variação da provisão para sinistros, que saltou de AOA 354,84 (US$ 389,08 mil) para AOA 7,02 mil milhões em 2025. Em contrapartida, os montantes efectivamente pagos ao longo do ano mantiveram-se estáveis, fixando-se em AOA 23,52 mil milhões (US$ 25,79 milhões), um ligeiro incremento de 1,3% face ao período anterior).

Em termos mais simples, podemos dizer que os custos efectivos da seguradora (o dinheiro que de facto saiu do caixa) foram muito maiores do que o valor que a empresa guardou como reserva (provisão) naquele ano específico, portanto, daí a justificativa do aumento dos custos com sinistros.

Se olharmos para os ramos que mais apresentaram sinistros, os ramos não vida continuam, por razões óbvias, a representar a maioria dos custos da seguradora, com um custo total de sinistralidade de AOA 29,95 mil milhões (US$ 32,84 milhões) onde o ramo doença domina com indemnizações avaliadas em AOA 10,17 mil milhões (US$ 11,15 milhões), seguido do automóvel  com AOA 7,63 mil milhões (US$ 8,36 milhões).

Já o segmento de ramo Vida registou apenas redução de 4,4% nos seus custos totais, que recuaram para AOA 585,9 milhões (US$ 642,49 mil), beneficiada por uma variação negativa na provisão para sinistros deste ramo no valor de AOA 118,2 milhões (US$ 129,64 mil).

Estrutura e rentabilidade dos investimentos

De acordo com o relatório e conta da companhia, a carteira de investimentos, líquida de valores em caixa, apresentou um crescimento de 11,5% para AOA 49,63 mil milhões (US$ 53,72 milhões) face ao encerramento do exercício anterior.

Obedecendo à norma da diversificação dos seus activos, “a companhia efectuou uma maior aposta em títulos, quer de rendimento fixo, quer de rendimento variável, em detrimento de outros tipos de activos, garantindo, assim, um acréscimo de rentabilidade na sua carteira de investimentos”.

Por outro lado, o capital próprio registou o valor de AOA 16,94 mil milhões (US$ 17,54 milhões), representando um crescimento de 24,0% face ao exercício anterior.

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Alexandre Lourenço

Editor de Seguros & Empresas

Alexandre é jornalista com mais de uma década de experiência. Integra, actualmente, a equipa editorial da revista O Telegrama como Editor de Seguros & Empresas, dedicando-se à cobertura de temas ligados ao ambiente empresarial, com especial enfoque no sector segurador. Foi repórter sénior do Novo Jornal e do económico Expansão. Licenciado em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), possui, ainda, formação Técnica Comercial em Seguros pela Academia de Seguros e Fundos de Pensões, além de formação em Jornalismo, Boa Governação e Transparência Fiscal pela USAID-Angola.

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