Finanças & Wall Street

Banco Sol volta aos lucros com recuperação de 206,05%

José Praia

27 Abril, 2026 - 11:55

José Praia

27 Abril, 2026 - 11:55

Depois de encerrar o exercício económico de 2025 em terreno negativo, o banco gerido por Osvaldo Lemos Macaia acaba de reportar um resultado líquido positivo nos primeiros 90 dias do ano em curso. Estes resultados animadores surgem exactamente num período em que se completa um ano da intervenção assistida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que aprovou o Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR) do Banco Sol, tendo em vista a implementação de reajustes que visam o saneamento da entidade bancária

O balancete preliminar do primeiro trimestre de 2026 revela que o lucro líquido de AOA 2,78 mil milhões (US$ 3,04 milhões) alcançado pelo Banco Sol representa uma recuperação extraordinária de 206,05%, quando comparado com o prejuízo de AOA 2,62 mil milhões (US$ 2,87 milhões) verificado no mesmo período de 2025.

No que diz respeito à riqueza do banco, o activo cresceu 8,39%, fixando-se em AOA 1,05 biliões (US$ 1,15 mil milhões) no primeiro trimestre de 2026, face aos AOA 968,64 mil milhões (US$ 1,06 mil milhões) registados em março do ano passado.

Os dados indicam que o desempenho do activo foi fortemente impulsionado pelo aumento do investimento em Títulos e Valores Mobiliários, cuja carteira cresceu 19,94%, atingindo AOA 468,02 mil milhões (US$ 513,11 milhões), contra os AOA 390,22 mil milhões (US$ 427,88 milhões) registados em 2025. Esta rubrica, considerada uma das principais linhas de negócio da banca, representou 44,58% do total do activo.

Por sua vez, o crédito a clientes, segunda principal linha de negócio da banca nacional registou uma queda de 28,77%, situando-se em AOA 92,29 mil milhões (US$ 101,19 milhões), em comparação com os AOA 129,57 mil milhões (US$ 142,07 milhões) concedidos em 2025, correspondendo a 8,79% do activo total.

Do lado do passivo, registou-se um crescimento de 9,41%, totalizando AOA 977,64 mil milhões (US$ 1,07 mil milhões), face aos AOA 893,59 mil milhões (US$ 979,81 milhões) do primeiro trimestre de 2025. Este aumento foi impulsionado, sobretudo, pelo crescimento dos recursos de clientes, que avançaram 17,68%, atingindo AOA 929,33 mil milhões (US$ 1,02 mil milhões), representando 95,06% do passivo total.

Entretanto, os accionistas do Banco Sol reduziram os fundos próprios em 10,61%, para AOA 69,47 mil milhões (US$ 76,16 milhões) no primeiro trimestre de 2026, abaixo dos AOA 77,72 mil milhões (US$ 85,22 milhões) registados no mesmo período de 2025.

Por último, as provisões diminuíram 11,72%, fixando-se em AOA 8,86 mil milhões (US$ 9,71 milhões). Apesar de os números do Banco Sol não evidenciarem sinais imediatos de falência técnica, importa salientar, de acordo com os dados, a instituição continua a apresentar factores de preocupação, nomeadamente pela dimensão ainda elevada das provisões.

De referir que, na sequência da intervenção do Banco Central, anunciado a 25 de Abril de 2025, o banco foi retirado da categoria de banco de importância sistémica da banca nacional no quarto trimestre.

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José Praia Pedro

EDITOR DE EMPRESAS & MERCADOS

No início do verão de 2024 juntei-me à equipa de jornalistas da revista O Telegrama, dividido entre a Editoria de Economia & Oil e a Editoria de Empresas & Mercados. Professor de matemática, fiz licenciatura em Economia na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Tenho a responsabilidade de manter debaixo de olho tudo o que se passa no panorama dos negócios empresariais e, sobretudo, nos mercados financeiros domésticos e internacionais, desde a ‘Bolsa de Luanda’ (BODIVA), de New York Stock Exchange (NYSE) e NASDAQ, passando pela chinesa Shanghai Stock Exchange Euronext; Hong Kong, Saudi Exchange até a Bolsa de Valores de Londres ou, se preferirem, London Stock Exchange.

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