O Kwanza angolano (AOA) vem perdendo terreno face às duas moedas de referência para importações de bens e serviços, o dólar norte-americano (US$) e o Euro (€), a moeda oficial de 20 dos 27 Estados-membros da União Europeia. De Janeiro até Agosto, a moeda nacional desvalorizou 11% face ao € e 9% face ao US$.
Em Janeiro, a taxa de câmbio dólar era AOA 828 e o € equivalia a AOA 908, segundo dados disponibilizados pelo Banco Nacional de Angola (BNA). Neste período o dólar manteve-se estável até princípio de Março, quando se verifica a primeira variação passando para US$/AOA 832.
O Euro seguia por sentido diferente registando uma apreciação do Kwanza, nos primeiros três meses do ano 1 € chegou a valer AOA 898, uma variação de 1%.
No mês de Junho, a taxa de inflação mensal ficou em 2,07%, uma redução de 0,42% em relação ao mês de Maio. Nesta altura, a taxa de câmbio mais alta era comercializada US$/AOA 853 e €/AOA 929.
Já em Julho último, por 1 €, eram preciso desembolsar AOA 949, e a mesma tendência assistiu-se face ao dólar norte-americano, que desvalorizou 2% e ficou perto dos AOA 900/US$. Nesta fase, a inflação mensal voltou a reduziu até 1,68% e a taxa homóloga voltou a subir para 31,09%, sendo que a diminuição da taxa de inflação mensal mostrou sinais de bons tempos em Agosto, mas o aumento da taxa de câmbio das duas moedas nos adverte para tempos difíceis.
O € furou a barreira de AOA 1000 por uma compra de uma unidade e a taxa de câmbio do dólar está AOA 904. Para o economista Jesus Freitas, o BNA encontra-se com uma intervenção limitada pela disponibilidade de divisas sob sua gestão, ou seja, pelas reservas internacionais.
“As reservas, que provêm essencialmente das receitas da exportação de petróleo, têm vindo a sofrer uma ligeira redução e, simultaneamente, há uma crescente pressão sobre estas reservas devido à necessidade de financiar a importação de bens e serviços, bem como para assegurar o pagamento da dívida externa”, disse o economista.
O especialista em banca Alberto Dias dos Santos considera essencial que o BNA tome acções directas para estabilizar a moeda nacional e melhorar a situação económica do país. E o especialista apresenta uma das soluções.
“Realizar compras de divisas pode aumentar as reservas internacionais e proporcionar uma pressão de compra que ajude a valorizar o Kwanza. Essa intervenção deve ser ajustada conforme necessário, para garantir que a oferta de divisas seja suficiente para manter a estabilidade cambial”, frisou.
A mesma opinião é partilhada por Jesus Freitas, advertindo que as medidas a serem tomadas devem virar-se para questões estruturais que não dependem apenas do BNA, como diversificar a economia e melhorar o ambiente de negócios.
O reforço das reservas internacionais é outra acção crucial, disse Alberto Dias dos Santos, acrescentando que, o Banco Central deve trabalhar para aumentar a capacidade de intervenção no mercado cambial, como, por exemplo, ter uma reserva robusta oferece maior segurança e flexibilidade para enfrentar a volatilidade cambial.
É fundamental ajustar rapidamente as políticas e intervenções em resposta às mudanças nas condições económicas e financeiras para a eficácia das medidas adotadas. A flexibilidade para reagir às flutuações e aos desafios emergentes é essencial para garantir a estabilidade do Kwanza, conclui o bancário.