No discurso de encerramento da gala que distinguiu bancos que se destacaram em 2025, realizada pela revista O Telegrama, em Luanda, José de Lima Massano começou por atribuir um significado especial à realização do evento, por coincidir com o 14 de Agosto, data em que nacionalistas angolanos assumiram as rédeas do sistema financeiro nacional, isto em 1975, tendo classificado aquele feito de decisivo e, particularmente, exigente para a história de Angola.
O governante assegura que esse facto garantiu a continuidade de um dos pilares fundamentais da soberania do país nas vésperas da independência.
Segundo o ministro de Estado, a transferência da condução do sistema financeiro ocorreu em circunstâncias adversas, mas adianta que foi marcada pelo sentido de patriotismo e pela consciência de que a construção de um Estado soberano exigia também a preservação e o funcionamento das instituições económicas e financeiras.
“Para assinalarmos essa data, prestamos homenagem aos pioneiros da banca angolana”, afirmou José de Lima Massano, referindo-se aos homens e mulheres que, nas primeiras horas da independência, contribuíram para assegurar o funcionamento do sistema financeiro angolano e lançaram as bases sobre as quais as gerações seguintes poderiam construir.
O governante deixou ainda uma palavra de reconhecimento e gratidão aos precursores da banca angolana, considerando que recordar o passado ganha significado, por contribui para compreender as responsabilidades do presente e preparar o futuro.
Ao abordar a evolução do sector, José de Lima Massano afirmou que a banca angolana percorreu um caminho marcado por avanços e dificuldades, períodos de transformação e de crise, mas, também, por capacidade de aprendizagem, adaptação, resiliência e superação.
Para o ministro de Estado, o sistema financeiro nacional é, actualmente, chamado a desempenhar um papel ainda mais determinante no desenvolvimento de Angola.
O país, explicou o governante, atravessa uma fase de transformação da sua economia, procurando aumentar a produção nacional, aprofundar a diversificação económica, estimular o investimento privado e criar mais oportunidades de emprego e de rendimento.
Neste processo, defendeu, o sistema financeiro deve ser parceiro, através de uma banca cada vez mais sólida, eficiente, inovadora e inclusiva, capaz de mobilizar e direccionar recursos para a economia produtiva.
Massano acrescentou que a banca deve compreender melhor os sectores que o país pretende desenvolver, acompanhar as empresas ao longo dos seus ciclos de crescimento e contribuir para transformar projectos e oportunidades em investimentos concretos.
Abordou, igualmente, as mudanças que estão a ocorrer no sector financeiro mundial, ao destacar o impacto da tecnologia e da digitalização. “A tecnologia está a transformar a forma como são realizados pagamentos, como as pessoas poupam e investem e como têm acesso ao crédito”, salientou.
A digitalização, acrescentou, está também a alterar os modelos de negócio e a elevar as expectativas dos cidadãos e das empresas relativamente à qualidade, rapidez, segurança e acessibilidade dos serviços financeiros.
Para Massano, esta transformação representa, simultaneamente, um desafio e oportunidade para o sector bancário.
De entre as possibilidades, apontou a aproximação da banca aos cidadãos, a redução de recursos, ampliação da inclusão financeira e a criação de novas formas de financiamento para uma economia que, segundo afirmou, tem registado uma nova dinâmica nos últimos anos.
Ao concluir a sua intervenção, José de Lima Massano apelou a que o reconhecimento atribuído na gala fosse recebido com sentido de responsabilidade e missão.
“Aos vencedores apresento as minhas felicitações”, manifestou o ministro de Estado, dirigindo, igualmente, uma palavra de reconhecimento aos demais nomeados pelo mérito que os conduziu até àquela etapa.