A reunião ocorre poucos dias depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgar uma nova desaceleração da inflação homóloga, que, em Agosto, se fixou em 8,78%, aproximando-se da meta de 8,6% estabelecida pelo BNA para o final do ano. A diferença de apenas 0,18 ponto percentual (p.p.) coloca a evolução dos preços no centro das atenções do CPM, sobretudo na avaliação dos riscos que ainda podem condicionar a convergência da inflação para o objectivo definido pela autoridade monetária.
Os dados do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), divulgados pelo INE, na terça-feira, 8 de Setembro, mostram que a inflação homóloga completou, em Agosto, 25 meses consecutivos de desaceleração, mantendo a trajectória descendente iniciada em Agosto de 2024, movimento que constitui um dos principais elementos a considerar pelo BNA na definição da orientação da política monetária para os próximos meses.
O comportamento da inflação ganha ainda maior relevância quando analisado em torno da decisão tomada na reunião anterior. Na 130.ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 13 e 14 de Julho, na cidade de Malanje, o CPM optou por aprofundar o processo de redução das taxas de juro de referência.
Na ocasião, a equipa de Manuel António Tiago Dias reduziu a Taxa BNA de 17% para 15,75%, enquanto a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez passou de 18% para 16,75%. Em paralelo, a taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez foi reduzida de 16,00% para 14,75%.
Segundo o comunicado da 130.ª reunião, a decisão foi sustentada pela “desaceleração consistente” da inflação e pela perspectiva de manutenção dessa tendência no curto prazo. A nova reunião do CPM permitirá, por isso, avaliar se os fundamentos que justificaram a flexibilização em Julho permanecem suficientemente sólidos para sustentar a actual orientação da política monetária.
No entanto, embora a inflação de Agosto já se encontre próxima da meta anual, a autoridade monetária terá de considerar outros factores além da evolução do IPCN, nomeadamente as condições monetárias e financeiras, o comportamento da liquidez na economia, a dinâmica cambial e os riscos externos que possam exercer pressão sobre os preços.
O CPM, órgão responsável pela formulação da política monetária e cambial do BNA, deverá apresentar as conclusões da reunião na habitual Conferência de Imprensa, marcada para o dia 15 de Setembro, a partir das 15h00, no Auditório Saydi Mingas, no Museu da Moeda, em Luanda.