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Ottoniel dos Santos: o regresso aos mercados internacionais foi o acontecimento mais relevante do I semestre

Bernardo Bunga

20 Julho, 2026 - 18:16

Bernardo Bunga

20 Julho, 2026 - 18:16

O Executivo angolano mobilizou cerca de US$ 4 mil milhões no mercado internacional de capitais durante o primeiro semestre de 2026, através de duas emissões de Eurobonds, realizadas em Março e Maio, numa estratégia que privilegiou não apenas a captação de financiamento, mas também a optimização do perfil da dívida pública

Ao apresentar, esta segunda-feira, 20 de Julho, o Balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) referente ao primeiro semestre de 2026, o Secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, classificou o regresso de Angola aos mercados internacionais de capitais como o acontecimento mais relevante do período.

“As operações permitiram reforçar a liquidez do Estado, reduzir o risco de refinanciamento dos próximos anos e melhorar o perfil da dívida pública”, afirmou.

Segundo o governante, o Estado concretizou duas emissões de Eurobonds que permitiram mobilizar aproximadamente US$ 4 mil milhões, dos quais US$ 2,5 mil milhões foram captados em Março e US$ 1,5 mil milhões em Maio.

“Um dos acontecimentos mais importantes do semestre foi o regresso de Angola ao mercado internacional de capitais, em Março, e a realização de uma segunda operação, em Maio. Através destas duas emissões de Eurobonds, foram mobilizados, no total, aproximadamente US$ 4 mil milhões”, sublinhou.

As emissões foram acompanhadas por operações de gestão activa da carteira da dívida. Em Março, o Executivo recomprou obrigações no valor de US$ 500 milhões, enquanto em Maio realizou nova recompra de US$ 700 milhões, totalizando US$ 1,2 mil milhões.

A operação permitiu reduzir a concentração das amortizações previstas para 2028 e 2029, mitigando os riscos de refinanciamento e aliviando a pressão futura sobre a tesouraria do Estado.

“O conjunto destas operações reflecte uma gestão mais activa da dívida pública, orientada não apenas para o financiamento das necessidades do Estado, mas também para a melhoria do perfil e da sustentabilidade da carteira”, destacou Ottoniel dos Santos.

Segundo explicou, a estratégia visa assegurar os recursos financeiros necessários para responder às necessidades actuais do Estado sem transferir encargos excessivos para os exercícios orçamentais futuros.

Dívida governamental ascende a AOA 65,8 biliões

O balanço do Plano Anual de Endividamento revela que, no final de Junho de 2026, o stock da dívida governamental atingiu AOA 65,8 biliões, equivalente a 51,24% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo-se esse rácio como principal indicador da sustentabilidade das finanças públicas.

No âmbito da execução do PAE, o Estado realizou emissões e desembolsos no montante de AOA 9,93 biliões, enquanto as amortizações efectivas totalizaram AOA 5,60 biliões, correspondendo a 53% da projecção anual.

O Executivo destacou igualmente a continuidade da redução da dívida garantida por petróleo, considerada uma prioridade da estratégia de gestão da dívida pública. De acordo com o Secretário de Estado, o stock desta modalidade de financiamento diminuiu de US$ 7,37 mil milhões, no final de 2025, para cerca de US$ 6,83 mil milhões em Junho de 2026.

Dívida pública cresce 16,4% em termos homólogos

Os dados apresentados mostram que o stock da dívida pública passou de US$ 61,9 mil milhões, no primeiro semestre de 2025, para US$ 72,05 mil milhões no mesmo período de 2026, traduzindo um crescimento homólogo de 16,40%.

A dívida externa aumentou de US$ 45,2 mil milhões para US$ 50,91 mil milhões, uma subida de 12,63%, enquanto a dívida interna evoluiu de US$ 16,7 mil milhões para US$ 21,14 mil milhões, registando um crescimento de 26,59%.

Em relação à composição da carteira, a dívida bilateral reduziu-se de US$ 3,12 mil milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 2,78 mil milhões do mesmo período do ano em curso, ao passo que a dívida multilateral aumentou de US$ 10,01 mil milhões para US$ 11,40 mil milhões.

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Bernardo Bunga

EDITOR DE ECONOMIA & OIL

Bernardo Bunga é Editor de Economia & Oil no O Telegrama e possui mais de 5 anos de experiência em análise económica e planeamento financeiro. Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Angola (UCAN), detém, também, o bacharel em Gestão Financeira pela Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN). Fez parte da equipa de consultores que prestou consultoria ao Banco Mundial, ao Ministério do Planeamento e ao Ministério das Finanças para a harmonização de salários e subsídios dos projectos da representação em Angola do Banco Mundial. Actuou como consultor na Global Education e na Knowledge – Consultores & Auditores. Possui formações em planeamento e estratégia de tomada de decisão, teoria das restrições – Lean e Six Sigma (TLS), Excel Avançado e Análise de Dados.

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