Finanças & Wall Street

Volume negociado nos mercados da BODIVA cresce 66,65% no 2T2026

Alice da Silva

28 Agosto, 2026 - 22:31

Alice da Silva

28 Agosto, 2026 - 22:31

O volume de negociação nos mercados da BODIVA atingiu AOA 1,76 biliões (US$ 1,93 mil milhões) no segundo trimestre de 2026, traduzindo um crescimento de 66,65%, face ao período homólogo, num trimestre marcado também pelo aumento de 92,70% da capitalização bolsista, que alcançou AOA 4,09 biliões (US$ 4,48 mil milhões).

Os dados foram apresentados pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC) na 2.ª edição do Encontro da CMC com os Jornalistas, subordinado ao tema “Fundamentos e Desempenho do Mercado de Capitais no 2T2026”, realizado a 25 de Agosto, nas instalações da instituição.

A expansão da actividade de negociação foi acompanhada por um aumento expressivo do número de negócios realizados, que atingiu 13,41 mil operações, mais 96,71% do que no segundo trimestre de 2025.

Apesar do crescimento da actividade no mercado, a estrutura das negociações continua fortemente concentrada em instrumentos de dívida. As Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis (OTNR) representaram 77,55% do volume total negociado nos mercados de bolsa, seguidas pelas Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OTME), com 17,06% e pelos Bilhetes do Tesouro (BT), com 4,64%.

Segundo Albertina Santana, Técnica de Análise e Estatística do Departamento de Estudos, Estatística, Desenvolvimento e Comunicação da CMC, os indicadores revelam uma apetência dos investidores por títulos de dívida.

Entretanto, o segmento accionista começa a ganhar maior expressão, embora ainda represente uma parcela reduzida do mercado. O peso das acções passou de 0,13%, no segundo trimestre de 2025, para 0,70%, no mesmo período de 2026.

“Apesar de ainda representar uma quantidade incipiente, o segmento de acções vem ganhando alguma robustez”, afirmou Albertina Santana.

Mercado de Registo de Operações de Valores Mobiliários concentra maior volume de transacções

Por segmento de mercado, o Mercado de Registo de Operações de Valores Mobiliários (MROV) concentrou a maior parcela das transacções, com cerca de AOA 763 mil milhões (US$ 836,10 milhões), no segundo trimestre de 2026.

Seguiu-se o Mercado de Operações de Reporte (MOR), com AOA 591,81 mil milhões (US$ 647,62 milhões), enquanto o Mercado de Bolsa de Títulos do Tesouro (MBTT) registou AOA 401,98 mil milhões (US$ 440,50 milhões).

Em sentido contrário, os menores volumes de transacções foram registados no Mercado de Bolsa de Obrigações Privadas (MBOP) e no Mercado de Bolsa de Unidades de Participação (MBUP).

Em relação ao tipo de investidores, embora os investidores institucionais continuem a representar a maior contribuição em termos de montante, os particulares foram responsáveis pela esmagadora maioria do número de transacções realizadas no período. Os dados indicam que, nos primeiros seis meses do ano em curso, os particulares representaram 84,85% do total de transacções, enquanto os investidores institucionais responderam por 15,15%.

Na óptica da compra, a Áurea SDVM concentrou 26,58% do volume negociado, seguida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), com 20,90%, e pela Hemera Capital Partners Securities (HCPS), com 10,50%.

Capitalização bolsista sobe 92,70%

O desempenho do mercado reflectiu-se, igualmente, na capitalização bolsista, que atingiu AOA 4,09 biliões (US$ 4,48 mil milhões), no final do segundo trimestre de 2026. O montante representa uma expansão de 92,70% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Paralelamente à evolução dos mercados, a estrutura institucional do sector também registou expansão. O número de entidades registadas na CMC aumentou 36%, para um total de 281 entidades no período em análise.

De entre estas, destacam-se os Organismos de Investimento Colectivo (OIC), cujo número de entidades cresceu 70%, passando de 37, no segundo trimestre de 2025, para 66, no segundo trimestre de 2026.

Para Dalvim Pipa, Director do Departamento de Estudos, Estratégia, Desenvolvimento e Comunicação da CMC, a apresentação dos dados trimestrais pretende ir para além da simples divulgação de números, permitindo observar as principais tendências e os factores que influenciaram a actividade no mercado.

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