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Queda da refinação mundial ameaça abastecimento global de gasóleo

Bernardo Bunga

21 Setembro, 2026 - 15:22

Bernardo Bunga

21 Setembro, 2026 - 15:22

A escalada das tensões geopolíticas no Médio Oriente voltou a pressionar os mercados petrolíferos, mas o impacto mais severo começa a concentrar-se nos produtos refinados, sobretudo no gasóleo. Apesar de o Brent ter recuado, nesta segunda-feira, 21 de Setembro, para cerca de US$ 101,97 por barril, numa variação negativa de 1,39% face ao dia anterior, os mercados permanecem sob forte pressão devido à redução da oferta de petróleo e, principalmente, à quebra da capacidade global de refinação

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a recuperação dos preços do petróleo, nas últimas semanas, ocorreu à medida que as hostilidades no Médio Oriente voltaram a afectar a produção, o transporte e a exportação de petróleo e derivados. Os futuros do Brent chegaram a atingir US$ 108,75 por barril em 14 de Setembro, antes de recuarem posteriormente, permanecendo, ainda assim, significativamente acima dos níveis anteriores ao conflito.

A pressão sobre o mercado, contudo, não se limita ao petróleo bruto. A AIE identifica uma deterioração particularmente acentuada nos mercados de gasóleo, combustível para aviação e gasolina, com os produtos refinados a registarem aumentos superiores aos observados no petróleo bruto.

A dimensão do problema está directamente relacionada com a perda de capacidade de refinação no Médio Oriente. Em 2025, os produtores da região exportaram cerca de 3,3 milhões de barris por dia de produtos petrolíferos refinados. Desde o início do conflito, contudo, até 3 milhões de barris por dia de capacidade de refinação ficaram indisponíveis devido aos ataques e à dificuldade em encontrar rotas viáveis para a exportação dos produtos. Embora parte da actividade tenha sido progressivamente retomada, a AIE estima que 2,2 milhões de barris por dia de capacidade permaneciam fora de operação em Agosto.

Os dados da AIE indicam que os mercados de gasóleo se encontram particularmente apertados, com os preços a atingirem níveis recorde em regiões como a Europa e a América do Norte. Nos Estados Unidos, o preço do gasóleo chegou a ultrapassar US$ 200 por barril no início de Setembro, quase o dobro do nível observado antes da guerra.

Redução da actividade das refinarias russas agrava pressão sobre o mercado de gasóleo

A deterioração do mercado internacional de produtos refinados é agravada pela redução da actividade das refinarias russas. Historicamente, a Rússia é o terceiro maior produtor mundial de produtos petrolíferos refinados, dispondo de cerca de 6,5 milhões de barris por dia de capacidade instalada, distribuída por 32 grandes refinarias.

Os ataques ucranianos contra a infra-estrutura energética russa intensificaram-se ao longo de 2026, atingindo com maior frequência instalações de refinação. Nos primeiros oito meses do ano, a frequência dos ataques aumentou significativamente, contribuindo para uma redução da produção de derivados.

O impacto tornou-se particularmente evidente em Junho, quando o processamento das refinarias russas caiu para 3,8 milhões de barris por dia, cerca de 30% abaixo do registado um ano antes e o nível mais baixo em mais de duas décadas. A produção de gasolina recuou cerca de 20%, enquanto a produção de gasóleo terá diminuído aproximadamente 30% em relação a 2025.

Perante a redução da produção, Moscovo restringiu as exportações de gasóleo com o objectivo de proteger o abastecimento interno. A medida representa uma alteração relevante para um dos maiores exportadores mundiais de derivados.

A combinação entre os problemas de refinação no Médio Oriente e na Rússia produziu um efeito expressivo sobre o comércio internacional de gasóleo. Os números preliminares da AIE indicam que as exportações marítimas de gasóleo provenientes do Médio Oriente e da Rússia caíram para cerca de 520 mil barris por dia em Agosto, uma redução de aproximadamente 75% em relação ao mesmo mês de 2025.

No conjunto dos primeiros oito meses de 2026, as exportações marítimas globais de gasóleo situaram-se em cerca de 4,7 milhões de barris por dia, menos 10% do que no mesmo período do ano anterior.

No entanto, embora a cotação do Brent tenha descido, hoje, para cerca de US$ 101,97 por barril, o principal risco para a economia global já não está apenas no preço do petróleo bruto. A crescente escassez de gasóleo e de outros produtos refinados representa um problema adicional, ao aumentar a pressão sobre os mercados de combustíveis e sobre os custos de abastecimento.

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