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Preços das habitações caem 8%, mas sector regista recuperação histórica

Alexandre Lourenço

21 Abril, 2026 - 11:33

Alexandre Lourenço

21 Abril, 2026 - 11:33

O sector imobiliário em Luanda está a registar uma correcção nos preços em dólar de venda por metro quadrado, com quedas visíveis em zonas de elite (como centro de Luanda e Luanda Sul) e em áreas periféricas (Viana, Camama e Zango), de acordo com os cálculos de O Telegrama com base no relatório da consultoria imobiliária Abacus, sobre o sector imobiliário nacional 2026

A venda de apartamentos novos registou uma diminuição de 6% na zona de Luanda Sul e Talatona, onde a venda por metro quadrado varia entre AOA 1,00 milhões (US$ 1,10 mil) para AOA 2,73 milhões (US$ 3,00 mil).

Já no centro de Luanda, a venda de apartamento novo por metro quadrado registou uma queda de 4% para AOA 4,78 milhões (US$ 5,25 mil). E, na zona de Viana, Camama e Benfica, a venda de imóveis novos e usados registou uma redução na ordem dos 8%.

A tipologia de moradias novas em Luanda Sul e Talatona viu os seus valores de comercialização recuar, fixando-se, agora, entre os AOA 2,37 milhões (US$ 2,60 mil) e AOA 5,19 milhões (US$ 5,70 mil), uma descida face aos máximos de AOA 5,47 milhões (US$ 6,00 mil) praticados no ano anterior.

Em contraste com a tendência de venda, o mercado de arrendamento segue um percurso notável, com os preços a subirem em diferentes zonas. No centro de Luanda, por exemplo, o arrendamento de apartamentos novos atingiu valores recordes de até AOA 8,20 milhões mensais (US$ 9 mil). Enquanto na periferia, em zonas como Viana e Camama, o custo de arrendar uma moradia nova também registou aumento na ordem dos 18%. Ou seja, os preços estão entre 684, 00 mil (US$ 750 centimos)  e AOA 1,18 milhões (1,30 mil) face aos AOA 1,00 milhões mensais (US$ 1,10 mil) praticados no ano anterior.

O documento refere que as famílias expatriadas continuaram a privilegiar a zona de Talatona, enquanto a classe alta angolana manteve a procura por tipologias maiores, como T4 e T5, no centro da cidade.

Sector imobiliário com recuperação histórica

De acordo com o relatório da consultoria imobiliária Abacus, o comportamento do mercado imobiliário como um todo registou alterações muito positivas. Nos escritórios, em 2025, assistiu-se a uma absorção de escritórios como não se verificava há muitos anos, com quase 60.000m2 em Luanda e Talatona, reduzindo a taxa de disponibilidade (vacancy rate) de 14% para cerca de 10%.

“O ano de 2025 foi um bom ano, com uma significativa absorção, verificando-se uma redução da vacancy rate, o que são muito boas notícias. Este aumento da procura surgira, na maior parte, em resultado de uma mudança de instalações onde as empresas estavam deficientemente instaladas”, apontam os consultores acreditando que, em 2026, relativamente à Procura, se poderá esperar por uma continuidade em relação a 2025, que, na ausência de novo stock a entrar no mercado, se pode esperar, também, por uma apreciação dos valores de arrendamento.

“À semelhança de outras geografias, a grande parte das empresas de cariz internacional procura o arrendamento, em detrimento da compra, por forma a não afectar recursos e a performance do seu balanço nas contas anuais das empresas. Com crescimentos residuais do PIB, as empresas estão muito pressionadas, na sua estrutura de custos, procurando, assim, a máxima optimização, incluindo no imobiliário afecto à exploração da empresa”, aponta o documento.

As opções de escritórios

No CBD de Luanda, o relatório aponta que se confirma a ausência de disponibilidade de escritórios, principalmente Grade A. No Eixo Viário, encontramos o mais recente e moderno edifício de escritório de Luanda, a Torre Vitória, que julgamos poder vir a solucionar a procura de novas áreas de escritórios em edifícios novos em Luanda que exijam as elementares regras de segurança e manutenção.

“Em Luanda Cidade, o stock de escritórios mantém o valor de 902.000m2, para 2026, não é esperado que entrem novas edificações, além de um edifício de escritórios junto à Embaixada Portuguesa”, sublinham os consultores acrescentando que as Torres Kianda, com mais de 90.000m2, tardam a entrar no mercado, tendo estas já colocadas, grande parte das áreas, muitas junto de investidores que, posteriormente, as colocarão de novo no mercado, provocando, certamente, uma oscilação na vacancy rate. Quando tal acontecer, o stock de escritórios ficará muito perto do importante número de 1 000 000m2.

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Alexandre Lourenço

Editor de Seguros & Empresas

Alexandre é jornalista com mais de uma década de experiência. Integra, actualmente, a equipa editorial da revista O Telegrama como Editor de Seguros & Empresas, dedicando-se à cobertura de temas ligados ao ambiente empresarial, com especial enfoque no sector segurador. Foi repórter sénior do Novo Jornal e do económico Expansão. Licenciado em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), possui, ainda, formação Técnica Comercial em Seguros pela Academia de Seguros e Fundos de Pensões, além de formação em Jornalismo, Boa Governação e Transparência Fiscal pela USAID-Angola.

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