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ANPG aumenta receitas em 162%, mas lucros recuaram 69% em 2025

Bernardo Bunga

2 Junho, 2026 - 17:44

Bernardo Bunga

2 Junho, 2026 - 17:44

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) encerrou o exercício económico de 2025 num quadro marcado por duas realidades distintas. Por um lado, a concessionária nacional registou um crescimento expressivo das receitas. Por outro, viu o lucro cair de forma acentuada e apresentou demonstrações financeiras que, embora aprovadas, receberam uma opinião com reserva do auditor independente, PricewaterhouseCoopers (PwC)

Os números do Relatórios e Contas mostram que a actividade da ANPG ganhou escala ao longo de 2025. As vendas aumentaram de AOA 83,38 mil milhões (US$ 91,43 milhões) em 2024 para AOA 218,60 mil milhões (US$ 239,6 milhões) em 2025, um crescimento de 162,16%.

Entretanto, o desempenho operacional da instituição liderada por Paulino Jerónimo (presidente do Conselho de Administração), não teve reflexo directo na rentabilidade. Apesar de vender mais, a ANPG terminou o exercício com um resultado líquido significativamente inferior ao registado no ano anterior. O lucro caiu de AOA 839,02 mil milhões (US$ 919,98 milhões) em 2024 para AOA 258,12 mil milhões (US$ 282,94 milhões) em 2025, traduzindo-se num declínio expressivo de 69,24%.

Ao nível patrimonial, a agência reforçou a sua dimensão financeira. O activo total cresceu 13,68%, ao sair de AOA 13,11 biliões (US$ 14,37 mil milhões) em 2024, para AOA 14,90 biliões (US$ 16,33 mil milhões) em 2025. Contudo, uma análise mais aprofundada da composição do balanço mostra uma concentração significativa em determinadas rubricas. O destaque vai para a rubrica do activo, outros activos financeiros, que se situou 9 vezes acima do valor de 2024, fixando-se em AOA 6,67 biliões (US$ 7,31 mil milhões) em 2025, um aumento impressionante de 802,43%. Esta rubrica foi responsável por 44,74% de todo o activo da instituição, tornando-se no principal elemento da sua estrutura patrimonial.

Outro dado relevante está relacionado com as contas a receber. Os créditos da ANPG sobre terceiros aumentaram de AOA 2,78 biliões (US$ 3,05 mil milhões) em 2024 para AOA 4,24 biliões (US$ 4,65 mil milhões), uma subida de 52,68%. Na prática, 28,46% dos activos da concessionária encontra-se concentrado nesta rubrica.

Do lado das obrigações, o passivo total aumentou para AOA 10,19 biliões (US$ 11,17 mil milhões), correspondendo a um crescimento de 17,74%. Na composição do passivo, a rubrica provisões para riscos e encargos, com uma alta de 3,65%, atingiu AOA 8,76 biliões (US$ 9,60 mil milhões) em 2025, representou 86,02% de todo o passivo da instituição.

O património líquido da agência medido pelo Capital Próprio atingiu os AOA 4,72 biliões (US$ 5,17 mil milhões) em 2025, registando um crescimento de 5,79% face ao ano anterior.

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