Questionado pelo moderador do debate, o consultor Lopo Santos, sobre o que falta para os clientes do BFA se tornarem investidores da BFA Capital Markets (BFA CM) e sobre as dificuldades para converter os clientes em investidores, Paulo Alves respondeu que o BFA e a BFA CM são instituições que apostam na inclusão e tratam todos os clientes como um cliente. Apontou, no entanto, a regulação como um dos principais desafios para a conversão de clientes em investidores.
“Há desafios estruturais, um deles é a própria regulamentação. Eu não sei se, em 2030, nós trazemos os clientes bancários para o mercado de capitais ou se levamos o mercado de capitais para onde os clientes estão. E eles estão tipicamente nos bancos”, disse.
Entretanto, o gestor bancário afirma que a regulamentação acaba por criar uma barreira, um novo acesso, mesmo que seja no digital, ao sustentar que “eu tenho acesso para o BFA, tenho o acesso para a CM broker, tenho mecanismos de autenticação diferente, tenho navegabilidade diferente…”, explicou, acrescentando que, em outras geografias, o processo é extremamente simplificado.
A inclusão para se integrar um sistema entre banca e mercado de capitais de forma que o cliente bancário consiga chegar, sem muita dificuldade, ao mercado de capitais e vice-versa, constitui, na opinião do banqueiro, o grande desafio.
“Nós só podemos desafiar o futuro se percebermos o percurso que fizemos no país. E esse percurso, a nível de democratização, é extremamente desafiante”, afirmou.
Para o administrador, “é preciso investir bastante, do ponto de vista dos grandes players, para que as pessoas percepcionem que o mercado de capitais é diferente. Tem riscos diferentes e o investidor terá que decidir, de forma clara e transparente, mas, acima de tudo, assumindo o risco desse mercado que é diferente do bancário”, observa o gestor.
Quanto à componente tecnológica, Paulo Alves diz que os bancos e as distribuidoras e corretoras de valores mobiliários dispõem de tecnologia de ponta, de referência global. Logo, segundo refere, “o tema não está nos sistemas. O tema está, eventualmente, na colaboração, na regulamentação e nos investimentos que as partes têm que fazer para essa integração e prevejo que é o caminho a seguir para a verdadeira democratização”, rematou.