Dilson Gaspar declarou que falta alguma preparação por parte das empresas para aderirem ao mercado de capitais e criar mais instrumentos.
“As empresas ainda não captam ou sentem a percepção de valor que o mercado pode trazer para elas. Não vêem essa necessidade de vir para o mercado. E as que vêm não vão devidamente preparadas. Aquelas que vêm percepção tocam em vários assuntos: custo de preparação, manutenção… É necessário que haja um ambiente favorável, um ecossistema que lhes permite se preparar e que essa preparação seja consistente e seja sustentável ao longo do tempo”, explicou Dilson.
O executivo deixou claro que não se vai levar para o mercado de capitais empresas que nem sabem o que é uma obrigação ou uma acção no seu mais detalhe.
“As empresas devem fazer uma curva de aprendizagem, todas elas. O Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) ajudou-nos nesse período, mas, agora, devemos esquecer o IGAPE. É trabalho, agora, do mercado trazer essas empresas para o mercado. Ou seja, é trabalho das sociedades correctoras e distribuidoras, dos consultores financeiros… trazer essas empresas e prepará-las para o mercado”, reforçou.
Acrescenta que “devem fazer uma curva de aprendizagem, porque o mercado é novo para todos nós. O IGAPE impulsionou isso com emissões estratégicas, mas já não é tema. O mercado já provou que consegue financiar. Se olharmos para a linha de tempo da forma que isso aconteceu, foram 4 anos, trouxemos sete empresas para cotação, então é possível. Foi uma pressão legal para provar o conceito e eu acho que o conceito está aprovado. Se olharmos para as emissões que ocorreram, em todas elas a procura foi sempre acima da oferta. Há elementos palpáveis e provam o conceito de que o mercado de capitais pode financiar”, continuou.
Dilson Gaspar admite que as empresas não irão sozinhas para o mercado, daí ter apontado a necessidade de serem ajudadas para que esse processo também ocorra e lhes permita ganhar confiança e crescer em termos de curva de aprendizagem.
“Falo de curva de aprendizagem, porque nós temos assistido (ao) que o mercado de colocação privada tem crescido. Temos visto colocações privadas acima de US$ 80,00 milhões, então elas vão se experimentando e, com esse experimento, vão ganhando mais confiança no mercado. Colocação privada, depois vão para colocação de dívida pública, assim vão experimentando até ao nível de reporte, abertura de informação, até chegar ao mercado de acção. Ou seja, a própria empresa tem que conseguir fazer esse caminho”, detalhou.
Mais adiante, salienta que “até aqui fizemos um papel interessante com a ajuda do IGAPE. Trouxemos várias empresas para o mercado. O caminho é deixar de ser um mercado de privatizações e ser um mercado de financiamento. Temos de ser um mercado complementar ao sector bancário. O que espero, até 2030, é que seja um mercado de capitais complementar, que ajuda as empresas a crescer e tornar o país cada vez melhor e isso se converter em crescimento e desenvolvimento económico”, concluiu o Administrador executivo da BODIVA.