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Rússia e Cazaquistão ajudam a conter queda global de petróleo

Bernardo Bunga

13 Abril, 2026 - 20:30

Bernardo Bunga

13 Abril, 2026 - 20:30

O relatório do mercado petrolífero referente ao mês de Março, divulgado, neste domingo (12), pela Agência Internacional de Energia (AIE), sugere que a escalada da guerra no Oriente Médio está a provocar uma disrupção sem precedentes no mercado global de petróleo, com efeitos imediatos sobre a oferta, os preços e a estabilidade energética internacional, com o Estreito de Ormuz sendo epicentro desta

Antes do conflito, os fluxos de crude e derivados que atravessavam pelo Estreito de Ormuz rondavam os 20 milhões de barris por dia (mb/d). Actualmente, esse volume caiu drasticamente para níveis residuais, representando não apenas constrangimentos logísticos e riscos de segurança mas também a incapacidade de desviar, em escala suficiente, o transporte para rotas alternativas. A limitação da capacidade de escoamento tem sido agravada pelo rápido enchimento das infra-estruturas de armazenamento nos países produtores do Golfo.

Como resposta directa a este bloqueio operacional, a Agência Internacional de Energia (AIE) realça que as principais economias petrolíferas da região reduziram a sua produção agregada em pelo menos 10 mb/d, numa tentativa de equilibrar os sistemas internos e evitar colapsos logísticos.

Os números mostram que o mercado global de petróleo registou uma queda expressiva no fornecimento em Março do corrente ano, estimada em cerca de 8 milhões de barris por dia (mb/d). Importa destacar que parte deste choque tem sido parcialmente mitigada pela resposta de produtores fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), com destaque para o Cazaquistão e a Rússia, que, após enfrentarem interrupções no início do ano, retomaram níveis mais elevados de produção, contribuindo para amortecer os efeitos da quebra global.

A evolução futura do fornecimento permanece, contudo, condicionada por factores críticos, nomeadamente a duração do conflito no Médio Oriente e a extensão das interrupções nos fluxos de petróleo, tanto ao nível da produção quanto da logística internacional. Estes elementos serão determinantes para aferir a profundidade e persistência do actual choque de oferta. Segundo o relatório, apesar deste cenário adverso no curto prazo, as projecções apontam para uma recuperação gradual ao longo de 2026, com o fornecimento global de petróleo a crescer, em média, 1,1 mb/d.

Os dados indicam que, em 2025, os produtores do Golfo exportaram cerca de 3,3 milhões de barris por dia (mb/d) de produtos refinados e 1,5 mb/d de gás de petróleo liquefeito (GPL). No entanto, a intensificação dos ataques e a inviabilidade logística de escoamento estão a comprometer severamente essa capacidade.

Mais de 3 mb/d de capacidade de refinação já foi encerrada, espelhando tanto os danos directos em infra-estruturas quanto as dificuldades em aceder a rotas seguras de exportação. A situação agrava-se à medida que alternativas globais enfrentam limitações crescentes na disponibilidade de matéria-prima, restringindo a capacidade de compensação fora da região.

“Cancelamentos generalizados de voos no Oriente Médio e grandes interrupções no fornecimento de GPL devem reduzir a demanda global de petróleo em cerca de 1 MB/d durante Março e Abril, em comparação com estimativas anteriores. Preços mais altos do petróleo e uma perspectiva mais precária para a economia global representam riscos adicionais para a previsão. O consumo global de petróleo agora deve aumentar 640 kb/d ano a ano em 2026, uma queda de 210 kb/d em relação ao mês passado”, refere o relatório.

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