O Tesouro Nacional realizou uma operação de captação no mercado financeiro europeu, no âmbito de uma estratégia de financiamento externo do Estado brasileiro. A emissão foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante uma visita oficial a Washington, D.C., onde participa nas reuniões de primavera promovidas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial.
De acordo com o governante, a operação foi estruturada em três prazos distintos de maturidade, quatro, sete e dez anos, permitindo diversificar o perfil da dívida e ampliar a base de investidores internacionais. Segundo estimativas do mercado financeiro, a emissão incluiu 2 mil milhões de euros em títulos com vencimento em 2030, 1,5 mil milhões de euros em obrigações com maturidade em 2033 e outros 1,5 mil milhões de euros em papéis com vencimento em 2036.
A última emissão de dívida soberana brasileira denominada em euros ocorreu em 2014, marcando agora o regresso do país a este segmento do mercado internacional de capitais após mais de uma década.
Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa integra o plano de gestão activa da dívida pública e de diversificação das fontes de financiamento do Estado. A operação também procura ampliar a presença do país em diferentes mercados e moedas, reforçando a relação com investidores europeus.
De acordo com o Tesouro, a emissão tem ainda como objectivo estabelecer um índice de referência para títulos brasileiros denominados em euros no mercado internacional. Esse “benchmark” poderá, no futuro, facilitar o acesso de empresas brasileiras a financiamento externo, reduzindo custos de captação e ampliando as alternativas de obtenção de recursos nos mercados internacionais.
Os recursos obtidos com a emissão deverão ser utilizados sobretudo para o refinanciamento da dívida pública federal, substituindo passivos existentes públicos. Durante a sua estada nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou a recente revisão das projecções económicas feita pelo Fundo Monetário Internacional. A instituição estima que a economia do Brasil deverá crescer 1,9% em 2026, num ambiente global marcado por desaceleração económica e incertezas nos mercados internacionais.
