De acordo com o principal orador do Executive Breakfast, o Ministério dos Transportes encontra-se em reformas, procurando garantir um fluxo de planeamento mais previsível e de menos exposição à volatilidade e vê nas concessões um meio em que muitas organizações têm capacidade de prover receitas nos próximos 20 anos.
“O sector bancário tem, também, o papel de conseguir garantir que haja uma maior conformidade do ponto de vista regulamentar de todos os operadores da economia. No caso do financiamento, é a instituição financeira que exige que o concessionário cumpra com a regulamentação em vigor”, afirmou o Ministro.
Ficou patente que, quando se começou com as concessões, o objectivo era garantir uma melhoria da capacidade e eficiência operacional das infra-estruturas, conseguir a sua integração num contexto mais regional e global e o financiamento por via dos concessionários em algumas infra-estruturas.
De acordo com Ricardo D’Abreu, até ao momento, o Ministério dos Transportes conseguiu arrecadar 380 milhões de dólares em prémio de concessões e possui rendas fixas projectadas de U$S 3 mil milhões nas concessões actuais.
O Ministro apresentou ainda o pipeline de projectos estruturantes a nível da mobilidade urbana, aviação, portos e terminais fluviais, logística e zonas francas e estruturação transversal. Salientando a necessidade dos serviços de advisory e de preparação dos modelos económicos e financeiros para as concessões e outros tipos de actividades.
Esse pipeline é composto por projectos locais e de domínio internacional, avaliado em pouco mais de US$ 10 mil milhões. Alguns já foram autorizados e outros estão em fase de formalização, sendo trabalhados em parcerias público-privadas, mas viu-se a necessidade do suporte dos bancos angolanos.
Banca diz estar atenta às oportunidades
À margem do evento, foram ouvidos representantes de alguns bancos da praça nacional, dentre eles, o Presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimento (BAI), Luís Lélis, que afirmou que a carteira potencial de investimentos apresentada pelo Ministério dos Transportes representa cerca de 20% dos ativos totais do sistema bancário angolano.
Acrescentou que a dimensão da Instituição que dirige torna exequível a identificação de projectos que possam apoiar. “Estamos disponíveis para olhar mais, com os pés bem assentes no chão, as prioridades do Ministério”, realçou.
Por sua vez, a Administra Executiva do Banco KEVE, Efigênia Tonha, deixou patente que, antes mesmo da apresentação dessa iniciativa, o Banco já tem estado a falar com várias empresas do sector dos transportes de modo a entender as oportunidades de investimentos existentes, inclusive as iniciativas privadas; financiando aquilo em que se sente confortável.
Questionada sobre o montante disponibilizado pelo KEVE no apoio ao sector dos transportes, a Administradora respondeu que há diferença de valores, em função dos projectos. Reforçando, no entanto, que, à medida que os projectos forem surgindo, avaliando a viabilidade e acautelados os riscos, o KEVE irá avançar com o financiamento.
